quarta-feira, 8 de junho de 2011

O MUNDO ESPIRITUAL INDÍGENA



Espiritual: Expressão dos antepassados

Religião e mitos

oqueemitoA palavra religião é originária do termo latino “religare”, significa a religação entre o homem e um ser divino. As referências sobre a religião dos índios brasileiros estão ligadas aos mitos de cada povo porque os próprios indígenas não usavam a palavra religião.

Eles tinham um conceito diferente do que era se religar a alguma coisa. Na verdade, para os indígenas há uma ligação com a natureza e dela com Deus.

Os mitos seriam histórias com verdades consideradas fundamentais para determinado povo ou grupo que vão caracterizá-las pela importância que eles contém. Também pode ser definido de acordo com o nível de linguagem de um indivíduo ou a forma dele se expressar e contar suas narrativas para o povo. Este, pode fazer desenhos na areia, realizar atos de performance, dançar, cantar, gesticular, tudo isso para melhor visualizar a história.


O Mito nas sociedades indígenas

crencas
















Os mitos nas sociedades indígenas ensinam algo sobre a história dos povos e o modo de pensar de cada um deles. São capazes de exprimir sentimentos e até mostrar valores e deveres  de determinada tribo. Eles precisavam atender necessidades na narrativa desses fatos e primeiro procuravam explicar como era o seu mundo (cosmologia ou teoria de mundo), as regras comportamentais da tribo e a transmissão delas para as futuras gerações.

Com um misto de criatividade entre a imaginação e os objetos do mundo natural que envolve passado, presente e futuro, o índio buscava construir algo que moldasse o mundo, na percepção dele, variando de tribo para tribo e sendo um forte caracterizador de sua identidade. O indígena depende do mundo que o cerca: meio ambiente, os ciclos que regem a natureza e a vida. Um exemplo disso é o surgimento do dia e da noite.

O nascimento da noite em Tupi

Um mito Tupi, chamado Tucumã relata o surgimento da noite: A noite não existia, pois ela estava presa dentro do coco de Tucumã (palmeira) guardado por uma serpente com características humanas e poderes sobrenaturais. Como a filha dessa serpente queria consumar o seu casamento era necessário a liberação da noite para que ela pudesse se deitar. O esposo dela enviou três índios para buscar o objeto, só que no meio do caminho, eles começaram a escutar ruídos de sapos e grilos e a curiosidade fez com que eles abrissem o fruto.
solelua

O dia escureceu e a filha da serpente tentou descobrir um jeito para separar a noite do dia. Quando surgiu a Grande estrela da Madrugada, ela criou o pássaro Cujubim afim dele cantar para nascer a manhã. Após isto, criou o pássaro Inhambu  para cantar afim de nascer a tarde até que surgisse a noite, e também fez outros pássaros para animar o dia. Os índios foram amaldiçoados e se transformaram em macacos de boca preta. Além da filha da serpente, todos os seres puderam dormir.

Entre regras e costumes

Outro fato também são as regras de comportamento que seria aquilo que é moralmente correto para nós. Uma lei específica era usada por diferentes tribos. No caso do ciúme por exemplo, há um mito que revela que um certo dia as esposas (como se fossem semi deusas) do Sol e da Lua estavam tristes porque seus maridos não tinham ciúmes delas. Assim, buscaram um remédio no pajé para aumentar o ciúme deles, que foi demasiado, fazendo com que o Sol e a Lua demonstrassem através da violência física. Com isso, elas retiram o remédio e o ciúme diminuiu.

Assim essa necessidade foi passada entre gerações, a medida que os indivíduos vão amadurecendo, nas entrelinhas das histórias, conhecem novos segredos que mudam algumas reflexões, conhecimentos e verdades.

Essas verdades são ensinadas para as crianças desde cedo, para que elas possam descobrir um mundo novo. Pelo fato dos mitos já estarem enraizados nos índios é que eles são difíceis de compreender e é necessário conhecer muito da história de determinada tribo.

No decorrer das histórias estes mitos vão se atualizando e representando uma tradição deixada pelos antepassados e estes povos foram por muitas vezes nomeados de sem cultura. Em muitos mitos encontramos uma semelhança quanto as crenças de diferentes povos como:
  • Um criador (forma humana e do sexo masculino);
  • Um ser sobrenatural criava conhecimentos que eram passados para seres humanos;
  • Todos os seres humanos vem do mesmo criador;
  • O Sol e a Lua (filhos do criador) tinham poderes sobrenaturais e já viveram na forma humana;
  • Existência da vida após a morte;
  • Poderes sobrenaturais;
  • Os animais teriam uma organização social semelhante a dos índios.

 Xamanismo e Rituais


oqueexamanismo





O xamanismo possui um significado amplo. A definição do dicionário Michaelis esclarece o conceito, mas não mostra a complexidade existente.


 


Ele pode ser um ritual, uma religião, uma crença, uma forma de pensar ou de expressar teorias de mundo. Considerada uma longa filosofia de vida, o termo é antigo e partilhado pela extensão da Ásia até o extremo sul da América. Este sistema ritualístico, nos mostra a existência do “xamã”, ou sacerdotes ligados aos rituais. Sendo uma palavra semelhante a “pajé”, derivada do tupi-guarani são usados como referência para os xamãs.

O xamanismo representa uma base para os autóctones da Ásia e das Américas, sendo este, trazido pelas colonizações. Sobreposto por grandes religiões, como o budismo, o taoísmo, o cristianismo e outras, o xamanismo indígena veio sobrevivendo aos ataques das outras culturas. Até mesmo porque ele passou a ser um estilo de vida que estava presente na vida dos indígenas.

Este tipo de religião, se é que podemos tratá-la assim, não possui verdades inquestionáveis, mas seria uma forma de conexão que os xamãs fariam para estabelecer uma ligação entre os seres humanos e os espíritos, almas de mortos e de animais que estavam no mundo cósmico. Ao invés de ter algo, um símbolo que os conecte a este mundo, os xamãs vão em pessoa se encontrar com essas entidades.

Um ritual sem pajé

pajeHá tribos também que executam o ritual do xamanismo, sem que aja um pajé ou especialista que estabeleça contato com as entidades. É o caso dos Parakanã do Xingu (região nordeste do estado do Mato Grosso). Pessoas comuns através de sonhos encontram espíritos. Eles levam as músicas que serão cantadas mais a tarde na aldeia.

Quando uma pessoa está doente ou em crise, ela pode fazer ligações com o mundo sobrenatural e se renovar (limpam o sangue, os espíritos colocam poderes em seu corpo, aprende-se cânticos). Nesse momento, o índio “empajezou”, enxergando as coisas invisíveis.

De acordo com a cosmologia indígena, há dois mundos, onde uma pessoa é composta por:
  • Corpo, uma carcaça ou pele que proteja as almas;
  • Duas almas ou duplos, uma se tornará fantasma a outra terá um destino único. 

Nos sonhos, na ingestão de substâncias psicoativas ou doenças, a alma sai do corpo e anda por vários lugares que os olhos humanos não conseguem ver. E, é a partir daqui que vemos a relação entre o mito e o xamanismo. 

Os relatos das histórias dos ameríndios seguem essa cosmologia. Para eles, houve um tempo em que todas as espécies possuíam uma forma humana, até que algo aconteceu, e este fluxo foi interrompido. Animais (por causa de um erro que cometeram no passado) ganharam um corpo de anta, porco e outros bichos, mas continuaram com alma humana. Os humanos são os únicos que ficam com sua alma e a partilha com outras entidades que compõem a “natureza”.

O homem e o desequilíbrio com o cosmos

equilibrio1É comum ouvirmos o termo pajelança nos rituais indígenas de xamanismo. Sendo o termo proveniente da Floresta Amazônica , a pajelança, faz com que um elemento vivo mantenha uma relação com os reinos da natureza (mineral, vegetal e animal), e de acordo com o xamanismo indígena é praticado por curandeiros (pajés).

Este contanto que o xamã tenta fazer com seres sobrenaturais muitas vezes é em busca de equilibrar um elo que fora perdido entre os povos e meio (mente e natureza). E, nesse processo há curas, exorcismo, entre outros atos. A crença existente é que as doenças surgem no homem por um desequilíbrio causado por ele e a ordem cósmica (universo) e muitas vezes a doença pode ter sido consequência de uma comportamento errado que o indígena teve.

Há diversos rituais nas várias culturas indígenas, mas o que se destaca em cada uma delas é a forma com que realizam-no. Eles fazem o inverso do que acontece nos mitos, não só contam a história em si, mas recontam-na e estabelecem uma comunicação entre todos os seres e entidades. É a partir deles que se estabelece um equilíbrio entre os mundos e é indispensável para formar pessoas e a sociedade. Ele pode ser um ritual:

  • De iniciação, onde os iniciantes ou neófitos passam por um estado de liminaridade (transe);
  • De guerras entre tribos, onde o ritual acontece desde o momento de confecção das armas (os índios cantam e realizam procedimentos específicos);
  • Relacionado a vida social: casamento, funerais, cultos aos deuses, cura de doenças, manutenção da saúde; 
  • Relacionados aos fenômenos da natureza.

Em muitos desses rituais são invocados deuses que constituem diferentes tipos de elementos da natureza como: animais, ar, fogo, terra, objetos ligados a astronomia, etc. Nestes são celebrados as diferenças entre o mundo natural e o sobrenatural e entre as diferenças existentes entre os seres humanos.

O ritual Kuarup

Um exemplo de ritual é a cerimônia conhecida com Kuarup. Um ritual das tribos de origem Tupi habitantes do Parque do Xingu. Instituído pelo deus Mavutsinim para ressuscitar os mortos, ao longo do ritual, os mortos iam se transformando em humanos através de troncos de madeira que os representavam. Só que com uma quebra na magia do ritual os troncos não puderam se transformar mais em pessoas.

Isso aconteceu porque um índio que havia tido relações sexuais resolveu espiar o ritual, mesmo sendo proibido pelo deus. Mavutsinim revoltado com a desobediência decidiu que os mortos não voltariam mais a vida e que somente seria comemorada a cerimônia. Nota-se que para eles havia vida após a morte e que ela não era o fim. Para estes povos, mesmo não existindo uma escrita, através de rituais, mitos, elementos da natureza, acessórios para o corpo, e outros, é que existe pessoas especialistas (pajé) que tem a sensibilidade de enxergar através da natureza o mundo que gira ao seu redor.

Mas que figura curiosa é essa do pajé?

É um líder espiritual e curandeiro que tem uma importância fundamental nas tribos. Geralmente por ser mais velho, é também um homem dotado de conhecimento e da história da tribo. É ele que irá passar toda a cultura, costumes e história para as outras gerações. Sendo chamado de curandeiro em algumas tribos, ele que vai direcionar os rituais, ervas e plantas no trato de algumas doenças.

Como líder espiritual, é ele que será o xamã, ou aquela pessoa responsável por entrar em contato com os espíritos e deuses que protegem determinada tribo e de possuir poderes sobrenaturais.

Já  o cacique não entra nessa definição acima. Ele é o chefe político que cuida dos negócios da tribo e em cada uma delas recebe denominações diferentes. Ex.: Os tupis o chamavam de moruxaua. 

Hospital gaúcho abre ala para pajés atenderem índios

http://www.kiai.med.br/noticias/hospital-gaucho-abre-ala-para-pajes-atenderem-indios-ig-rio-grande-do-sul-723/
Para índios, tratamento convencional é insuficiente. Diretor do hospital diz que medida não vai atrapalhar trabalho dos médicos
Em São Miguel das Missões, a 500 quilômetros de Porto Alegre, os índios da etnia mbyá-guarani agora podem ser atendidos por seu líder espiritual quando forem ao hospital da cidade.

São Miguel das Missões, a 500 quilômetros de Porto Alegre, é patrimônio cultural da humanidade
Pela tradição guarani, a medicina dos “brancos” não atende completamente as necessidades dos indígenas, que recorrem aos rituais e aos “Karaí”, como são chamados os líderes espirituais das comunidades. O problema é que os rituais envolvem rezas, cânticos e o uso do cachimbo, o que não seria adequado ao ambiente hospitalar, onde se deve fazer silêncio e é proibido fumar. Por isso, a direção do hospital São Miguel Arcanjo destinou um espaço apenas aos pacientes indígenas, que poderão receber o tratamento médico e, ao mesmo tempo, o tradicional de sua cultura.
O acordo foi firmado no dia 28 de abril, após uma visita do procurador da República Felipe Müller a uma comunidade mbyá-guarani localizada no interior de São Miguel. Segundo Müller, entre outras reivindicações, os indígenas solicitaram o atendimento especial no hospital da cidade. Ele se reuniu com a direção da instituição, que acatou a sugestão.
O hospital disponibilizou uma sala com banheiro privativo espaço para até três leitos. Até agora, dois indígenas do município foram ao hospital, mas ainda não “usufruíram” do novo espaço.
De acordo com o diretor administrativo da Associação Hospitalar São Miguel Arcanjo, Inácio Müller, os médicos da instituição não se opuseram à iniciativa. “Conversamos com os médicos e eles disseram que, desde que não interferisse na conduta profissional, não haveria problema”, afirma.
Procurado pelo iG, o presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), Fernando Mattos, informou que a entidade, além de não se opor, exalta a medida, já que se trata de um tradição cultural indígena e não deve interferir na atuação dos médicos.
A lei que regulamentou o Sistema Único de Saúde (SUS), ao falar do subsistema de atenção à saúde indígena, determina o atendimento das “especificidades da cultura dos povos indígenas”, que deve se pautar “por uma abordagem diferenciada e global”. Segundo o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Rio Grande do Sul, Roberto Liebgott, apesar da lei prever um atendimento diferenciado aos indígenas, a prática não é comum, a não ser em comunidades indígenas do norte do Brasil.“Para os indígenas, a espiritualidade é importante no processo de cura. O hospital de São Miguel está de parabéns por essa medida, que valoriza a cultura indígena”, comemora Liebgott.
Situada no noroeste do Rio Grande do Sul, São Miguel das Missões se tornou patrimônio mundial da humanidade por abrigar as ruínas da antiga redução dos jesuítas, onde moravam padres e índios durante o Brasil colonial. No auge das missões, 6 mil pessoas viviam entre os muros.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

LIVRO NOSSO LAR -CAP.31UMA MENDIGA NOS PORTÕES


 Esta narração está contida no livro Nosso Lar de André Luiz através da psicografia de Chico Xavier publicado pela Feb. Achamos conveniente resumir o caso ocorrido no Capitulo 31 – Vampiro.
O caso é relatado para mostrar o que ocorre depois da morte, na Espiritualidade, e para onde vão as pessoas que cometem crimes, que neste caso não era de abortos e sim de mortes de crianças ao nascer. O Espírito infanticida torna-se, no Mundo Espiritual, um verdadeiro vampiro. Vamos ao caso:
André Luiz está em Nosso Lar, com Narcisa, logo após às vinte e uma horas, quando chega um sentinela das Câmaras de Retificação, para notificar que uma infeliz mulher pedia socorro no grande portão que dá para os campo de cultura. Percorreram mais de um quilômetro até chegar à cancela. Do outro lado havia uma mulher coberta de andrajos, rosto horrendo e pernas em chaga viva.
- Filhos de Deus – bradou a mendiga – dai-me abrigo à alma cansada! Onde está o paraíso dos eleitos para que eu possa fruir a paz desejada.
Narcisa perguntou a André Luiz:
- Não está vendo os pontos negros?
- Não - respondeu.
- Quando se trata de criatura nesse estagio não posso fazer nada. Chamemos Paulo, o chefe da guarda.
Paulo disse tratar-se de um dos mais fortes vampiros que já havia visto. Mandou Narcisa olhar melhor no corpo espiritual da mendiga. Ela notou que 58 manchas negras estavam no corpo.
Esses pontos escuros representam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascerem. Em cada mancha vejo a imagem mental de uma criancinha aniquilada, umas por golpes esmagadores, outras por asfixia.
Essa desventurada criatura foi profissional de ginecologia. A pretexto de aliviar consciências alheias, entregava-se a crimes nefandos, explorando a infelicidade de jovens inexperientes. A situação dela é pior que a dos suicidas e homicidas, que, por vezes, apresentam atenuantes de vulto.
Narcisa pediu se não seria possível cuidar dessa mulher e o vigilante lhe disse que o interesse dela estava em perturbar o trabalho em Nosso Lar e lhe propôs uma prova: sigamos a narrativa de André Luiz.
- Que deseja a irmã, do nosso concurso fraterno?
- Socorro! socorro! socorro!... - respondeu lacrimosa.
- Mas, minha amiga, é preciso sabermos aceitar o sofrimento retificador. Por que razão tantas vezes cortou a vida a entezinhos frágeis, que iam à luta com a permissão de Deus?
Ouvindo-o, inquieta, ela exibiu terrível carantonha de ódio e bradou:
- Quem me atribui essa infâmia? Minha consciência está tranqüila, canalha!... Empreguei a existência auxiliando a maternidade na Terra. Fui caridosa e crente, boa e pura...
- Não é isso que se observa na fotografia viva dos seus pensamentos e atos. Creio que a irmã ainda não recebeu, nem mesmo o benefício do remorso. Quando abrir sua alma às bênçãos de Deus, reconhecendo as necessidades próprias, então, volte até aqui.
Irada, respondeu a interlocutora:
- Demônio! Feiticeiro! Sequaz de Satã!... Não voltarei jamais!... Estou esperando o céu que me prometeram e que espero encontrar.
Assumindo atitude ainda mais firme, falou o Vigilante-Chefe com autoridade:
- Faça, então, o favor de retirar-se. Não temos aqui o céu que deseja. Estamos numa casa de trabalho, onde os doentes reconhecem o seu mal e tentam curar-se, junto de servidores de boa-vontade.
A mendiga objetou atrevidamente:
- Não lhe pedi remédio, nem serviço. Estou procurando o paraíso que fiz por merecer, praticando boas obras.
E, endereçando dardejante olhar de extrema cólera, perdeu o aspecto de enferma ambulante, retirando-se a passo firme, como quem permanece absolutamente senhor de si.
Acompanhou-a o Irmão Paulo com o olhar, durante longos minutos, e, voltando-se para nós, acrescentou:
- Observaram o Vampiro? Exibe a condição de criminosa e declara-se inocente; é profundamente má e afirma-se boa e pura; sofre desesperadamente e alega tranqüilidade; criou um inferno para si própria e assevera que está procurando o céu.
- É imprescindível tomar cuidado com as boas ou más aparências. Naturalmente, a infeliz será atendida alhures pela Bondade Divina, mas, por princípio de caridade legítima, na posição em que me encontro, não lhe poderia abrir nossas portas.

Análise científica das conseqüências espirituais do aborto provocado.


- Dr. Ricardo Di Bernardi - Associação Médico-Espírita da Bahia -

As complicações clínicas advindas dos abortos provocados na esfera ginecológica são inúmeras e podem, inclusive, determinar o êxito letal da mulher.

No campo psicológico, são comuns os processos depressivos subseqüentes que acometem as mulheres que se submeteram à eliminação da gestação indesejada. A sensação de vazio interior, mesclada com um sentimento de culpa consciente e inconsciente, freqüentemente, determina uma acentuada baixa de vibração na psicosfera feminina.

Paralelamente, a ação do magnetismo mental do espírito expulso passará gradativamente a exacerbar a situação depressiva da ex-gestante.

Como já estudamos, em muitos casos, aquele que reencarnaria como seu rebento estava sendo encaminhado para um processo de reconciliação afetiva. O véu do esquecimento do passado é que possibilitaria a reaproximação de ambos sob o mesmo teto. Com o aborto provocado, à medida que o espírito recobra a consciência, passa, nesses casos, a emitir vibrações que, pelo desagrado profundo, agirão de forma nociva na psicosfera materna. Em que pese o esforço protetor exercido pelos mentores amigos, em muitas circunstâncias se estabelece o vínculo simbiótico, mergulhando a mãe nos tristes escaninhos da psicopatologia.

Ao desencarnar, de volta ao plano espiritual, a mãe apresentará em diversos níveis, conforme o seu grau de responsabilidade, distonias energéticas que se farão representar por massas fluídicas escuras que comporão a estrutura de seu psicossoma (corpo espiritual). Apesar de serem atendidas com os recursos e as técnicas terapêuticas existentes no mundo astral, a chaga energética, em muitos casos, se mantém, em função da gravidade e agravantes existentes.

As lesões na textura íntima do psiçossoma a que nos referimos, muitas vezes, só pode ser eliminada numa próxima encarnação de características expiatórias.

Expiação, longe de ter uma conotação punitiva, pois esse critério não existe na planificação superior, é um método de eliminação das desarmonias mais profundas para a periferia do novo corpo físico. A expiação sempre tem função regeneradora e construtiva e visa restaurar o equilíbrio energético perdido por posturas desequilibradas do pretérito.

As deficiências que surgirão no corpo físico feminino pelo mecanismo expiatório visa, então, em última análise, suprimir o mal, drená-lo para a periferia física. Segundo os textos evangélicos, teríamos a assertiva: "A cada um de acordo com as próprias obras".

Os desajustes ocorrem inicialmente nas energias psicossomáticas do chacra genésico, implantando-se nos tecidos da própria alma as sementes que germinarão no seu novo corpo físico, em encarnação vindoura, como colheita de semeadura anterior.

André Luiz, na obra Evolução em Dois Mundos, segunda parte, capo XIX utiliza a designação miopraxia do centro genésico atonizado, que determinará graves patologias na gestação ou toxemias gravídicas. O chacra genésico desarmonizado pelos abortos anteriores passa a enviar estímulos energéticos defeituosos à estrutura ginecológica da mulher. O óvulo fecundado no terço distal da trompa de Falópio deveria descer e encaminhar-se para o ninho uterino onde, nidado, desenvolveria a gestação normal. No entanto, a arritmia do chacra genésico impede que o comando energético controle a fisiologia dos anexos uterinos de forma harmônica.

A trompa, que deveria impulsionar o ovo em direção ao útero, não consegue atuar corretamente e o óvulo fecundado permanece no nível tubário (trompa), ali se fixando. As células ciliadas que,
com seu movimento rítmico de vaivém, varreriam o óvulo fecundado no rumo uterino, ao invés do movimento simétrico,à semelhança de um trigal ao vento, agem descompassadas e irregularmente, não logrando o seu intento.

As células que produzem o muco de lubrificação e as células intercalares não dispõem da força e coordenação necessárias na mucosa da trompa para que a condução endossal-pingeana (intratrompa) do óvulo, ou mesmo sua alimentação, se processe adequadamente, pelo deficiente funcionamento hormonal ovariano. Ocorre então, pelo exposto, a gravidez tubária ou prenhez ectópica ou, ainda, localização heterotópica do ovo.

A gravidez tubária torna-se inviável e gera o aborto espontâneo. A lei inexorável da ação e reação se expressando é o que se percebe nesse fenômeno. A colheita obrigatória de hoje motivada pela semeadura livre e irresponsável do passado. Abortos provocados ontem determinando abortos espontâneos hoje.

Chacra Genésico

Mais uma vez, vale recordar que o espírito, ou entidade reencarnante, preso ao ovo fora do endométrio ortotópico (ligação normal) é, sem dúvida, aquele que se afiniza à faixa de culpa em que se sente fixado magneticamente.

Muitas outras situações similares ocorrem em conseqüência dessa alteração do chacra genésico. Mesmo quando é possível a nidação uterina e normal do ovo, ou no endométrio ortópico, surgem as situações de placentação baixa ou placenta prévia ocasionando graves complicações à gestante.

Ainda enquadradas nas conseqüências da arritmia do centro genésico, ocorrem os fenômenos de descolamento prematuro de placenta eutópica pela hiperatividade histolítica da vilosidade corial. O descolamento prematuro da placenta, ou DPP também leva a situações de intensa dificuldade no binômio materno-fetal, com sofrimento expressivo para ambos.

Segundo o médico desencarnado que ditou a Chico Xavier a obra Evolução em Dois Mundos, também a hipocinesia (diminuição da movimentação fisiológica) das células uterinas, que favorece o campo para proliferação bacteriana ao estreptococo e gonococo, pode ser decorrente da desarmonia do chacra genésico. Enfim, são inúmeras as repercussões desse desequilíbrio. Para um estudo mais aprofundado, recomendamos, sem dúvida, o capítulo citado da referida obra.

Aborto espontâneo

Nas situações em que o desequilíbrio emocional e efetivo do aborto provocado no passado
marcou o organismo perispiritual da mãe, teremos o chacra cardíaco desequilibrado. As forças provindas do chacra citado influenciam na atividade elétrica do coração e, justamente na época da
gestação, pelo estímulo de ressonância com o passado, levam ao distúrbio e sofrimento cardiovascular, com o aumento do volume de plasma na corrente sangüínea, relacionado também ao desequilíbrio hormonal, gerando sérios problemas para a mãe e para o feto, ambos espíritos vinculados a situações desarmônicas de um passado comum ou afim.

Em determinados casos, a mulher, em vidas anteriores, manteve-se sintonizada com os deveres da maternidade até a terceira gestação, quando partiu para o aborto criminoso. O registro dos fatos far-se-á nos núcleos energéticos do espírito na seqüência cronológica, bem como o desequilíbrio que atinge o chacra genésico e o esplênico do corpo espiritual.

Voltamos à vida física, muitas vezes, em locais onde há deficiente acesso à assistência médica e hospitalar, reencarnando com RH negativo e consorciando-se com um companheiro RH positivo. No terceiro filho, justamente, poderá colher o retomo da situação que seus atos anteriores propiciaram. A incompatibilidade RH determinará o aborto espontâneo ou outras conseqüências, conforme o grau de desarmonia registrado nos vórtices energéticos da mãe e do espírito.

Em outros casos, pela hiperexcitação do campo nervoso, as mulheres que praticam diversos abortos passam a apresentar modificações expressivas na personalidade, registrando no chacra coronário (cerebral) as distonias energéticas e abrindo caminho para a obsessão conseqüente.

Todos os exemplos citados são sempre flexíveis de acordo com a individualidade do caso. Problemas podem ser abrandados consideravelmente em função dos atos construtivos e amorosos desempenhados no cotidiano. Só o amor reconstrói...

Responsabilidade Paterna

Se é verdade que a mulher se constitui no ninho onde se aconchegam os ovos, que, acalentados pelo amor, abrir-se-ão em novos filhotes da vida humana, não há como se esquecer da função paterna.

A pretensa igualdade pregada por feministas, que mais se mostram como extremistas, não permite que se enxergue pela embaciada lente do orgulho, que a mulher jamais será igual ao homem. A mulher é maravilhosamente especial para se igualar a nós homens.

Já nos referimos às complexas conseqüências para o lado materno no caso da interrupção premeditada da gestação.

Faz-se necessário, não só por uma questão de esclarecimento, mas até por justiça, estudarmos os efeitos sobre o elemento paterno que, muitas vezes, é o mentor intelectual do crime.

Conseqüências para os pais

Desertando do compromisso assumido, ou pressionando pela força física ou mental, o homem, a quem freqüentem ente a mulher se subordina para manter a sobrevivência, obriga a sua companheira a abortar. Não estamos eximindo quem quer que seja da responsabilidade, pois cada qual responde perante a lei da natureza, proporcionalmente à sua participação nos atos da vida. A mãe terá sua quota de responsabilidade, ou de valorização, devidamente codificada nos computadores do seu próprio espírito.

O homem, freqüentemente, obterá na existência próxima a colheita espinhosa da semeadura irresponsável. Seu chacra coronário ou cerebral, manipulador da indução ao ato delituoso, se desarmonizará gerando ondas de baixa freqüência e elevado comprimento ondulatório. Circuitos energéticos anômalos se formarão nesse nível, atraindo por sintonia magnética ondas de similar amplitude e freqüência, abrindo caminho à obsessão espiritual.

Obsessores

As emanações vibratórias doentias do seu passado, que jaziam adormecidas, pulsarão estimuladas pela postura equivocada atual e abrirão um canal anímico de acesso aos obsessores.

O chacra genésico também recebe o influxo patológico de suas atitudes, toma-se distônico e, na seguinte encarnação programa automaticamente pelos computadores perispirituais a fragilidade do aparelho reprodutor. Objetivamente, veremos moléstias testiculares e distúrbios hormonais como reflexos do seu pretérito.

Lembramos sempre que não se pode generalizar raciocínios nem padronizar efeitos, pois cada espírito tem um miliar de responsabilidades e, a cada momento, atos de amor e de crescimento interior diluem o carma construído no passado.

Conseqüências para o abortado

A especificidade de cada caso determina situações absolutamente individuais no que se refere às repercussões sofridas pelo espírito eliminado de seu corpo em vias de estruturação.

Se existe na ciência do espírito uma regra fundamental que rege a lei de causa e efeito, poderíamos enunciá-la assim: A reação da natureza sempre se fará proporcional à intencionalidade da ação. Isto é, jamais poderemos afirmar que um determinado ato levará inexoravelmente a uma exata conseqüência.
Quando a responsabilidade maior da decisão coube aos encarnados, pai e ou mãe, eximindo o espírito de participação voluntária no aborto, teremos um tipo de situação a ser analisada.

O espírito, quando de nível evolutivo mais expressivo, tem reações mais moderadas e tolerantes. Muitas vezes seria ele alguém destinado a aproximar o casal, restabelecer a união ou, mesmo no futuro, servir de amparo social ou efetivo aos membros da família. Lamentará a perda de oportunidade de auxílio para aqueles que ama. Não se deixará envolver pelo ódio ou ressentimento, mesmo que o ato do aborto o tenha feito sofrer física e psiquicamente. Em muitos casos, manterá, mesmo desencarnado, tanto quanto possível, o seu trabalho de indução mental positiva sobre a mãe ou os cônjuges.

Nas situações em que o espírito se encontrava em degraus mais baixos da escada evolutiva, as reações se farão de forma mais descontrolada e, sobretudo, mais agressiva.

Espíritos destinados ao reencontro com aqueles a quem no passado foram ligados por liames desarmônicos, ao se sentirem rejeitados, devolvem na idêntica moeda o amargo fel do ressentimento.
Ao invés de se sentirem recebidos com amor, sofrem o choque emocional da indiferença ou a dor da repulsa. Ainda infantis na cronologia do desenvolvimento espiritual, passam a revidar com a perseguição aos cônjuges ou outros envolvidos na consecução do ato abortivo.

Em determinadas circunstâncias, permanecem ligados ao chacra genésico materno, induzindo consciente ou inconscientemente a profundos distúrbios ginecológicos aquela que fora destinada a ser sua mãe. Outros, pela vampirização energética, tornam-se verdadeiros endoparasitas do organismo perespiritual, aderindo ao chacra esplênico, sugando o fluido vital materno.

Débitos cármicos

As emanações maternas e paternas de remorso,culpa ou outras, que determinam o estado psicológico depressivo, abrem caminho no chacra coronário dos país para a imantação magnética da obsessão de natureza intelectual.

A terapêutica espiritual, além da médica, reconduzirá todos os envolvidos ao equilíbrio, embora freqüentemente venha a ser longa e trabalhosa.

Há também espíritos que, pela recusa sistematicamente determinada em reencarnar, para fugir de determinadas situações, romperam os liames que os unia ao embrião. Estes terão seus débitos cármicos agravados e muitas vezes encontrarão posteriores dificuldades em reencarnar, sendo atraídos a gestações inviáveis e a país necessitados de vivenciar a valorização da vida.

No entanto, o grande remédio do tempo sempre proporcionará o amadurecimento e a revisão de posturas que serão gradativamente mais harmoniosas e, sobretudo, mais construtivas. Todos terão oportunidade de amar.

Responsabilidade profissional

A completa ignorância da lei da gravidade e sua compreensão não isenta aquele que arremessa um peso para o alto de receber o impacto do mesmo sobre sua cabeça. De uma forma ou de outra, as conseqüências ocorrem pela razão simples da existência de leis naturais.

Sem dúvida, são inúmeros os fatores atenuantes que reduzem a responsabilidade do profissional da área médica praticante do aborto.

A intenção compassiva de quem sentia uma situação de miserabilidade humana, em que a fome e outros fatores sociais parecem sufocar aquela que se encontra gestando, podem ter sido determinantes para uma tomada de posição, ainda que equivocada, relativa à intervenção médica pela curetagem uterina.

Para muitos profissionais, só existe a vida biológica. Sentimento e intelectualidade seriam meros atributos do metabolismo neuronal do cérebro. O desconhecimento da existência do espírito, sua sobrevivência, comunicabilidade e reencarnação é ainda comum no meio médico.

Ao desconhecer as razões transcendentais que fazem alguém renascer neste ou naquele meio, nesta ou naquela condição orgânica, parece lógico evitar que um sofredor ou deficiente seja impedido de existir. E, na realidade, uma visão parcial e distorcida dos fenômenos da vida. Sucede que o desconhecimento da ciência do espírito leva muitas vezes a uma percepção meramente organicista.

Mensurar o débito perante as leis naturais de um profissional nas condições acima comentadas fica extremamente difícil.

Todos nós, médicos, somos assistidos espiritualmente e instruídos constantemente no exercício profissional. Cabe a cada um abrir ou fechar os canais anímicos para merecer os influxos energéticos salutares. Caso estejamos incorrendo em freqüentes equívocos éticos, sem dúvida, nosso padrão vibratório é que não está permitindo o acesso às orientações espirituais. Portanto, assumimos cota de participação nos males produzidos.

Os profissionais do aborto

O grande móvel da responsabilidade, no entanto, deve ser o fator intencionalidade.

Freqüentemente, também, são apenas fatores de interesse material que levam os profissionais a tomar a decisão mais fácil e rápida, porém destrutiva: abortar. Nesse caso, a situação se agrava consideravelmente do ponto de vista extrafísico.

Evidentemente, são completamente excluídos de responsabilidade aqueles que, no cumprimento sagrado de seus labores hipocráticos, executam o aborto no intuito de preservar a vida da gestante. Nossa digressão filosófica se refere a situações não inseridas em indicações inevitáveis.

No tocante aos paramédicos não habilitados e aborteiras profissionais clandestinas, o acompanhamento espiritual trevoso dos elementos citados faz inveja às descrições dantescas do inferno.

O assessoramento espiritual de médicos e curiosas que se dedicam integralmente à prática do aborto clandestino é de infundir pavor à sensibilidade de pessoas comuns.

Formas ideoplásticas aracneiformes, estruturas energéticas viscosas e aderentes, elementos espirituais deformados e animalizados (licantropia e zoantropia) compõem o séquito horripilante que se fixa nesses ambientes. Não seremos minuciosos nos comentários para poupar o leitor da fixação nos terríveis quadros da vampirização espiritual.

Mesmo nesta encarnação costumam ocorrer fenômenos de desagregação psíquica nos envolvidos em comerciar o aborto. Alguns são mergulhados na aura escura e perniciosa dos" abutres espirituais" e adoecem fisicamente de dolorosas enfermidades. Outros desestabilizam seu ambiente afetivo pela interferência dos obsessores.

Nas encarnações seguintes, haverá conseqüências tanto para o chacra coronário e genésico como para o esplênico e o cardíaco.

Os sofrimentos que os aborteiros profissionais poderão atrair, ligados à futura paternidade e maternidade, poderão ocorrer em todos os níveis e situações pela atração automática com as vítimas do passado.

Urge, pois, que semeemos o esclarecimento dado pela ciência do espírito visando à profilaxia do sofrimento de muitas criaturas encarnadas e desencarnadas.

Sempre há tempo...

CLASSIFICAÇÃO DOS PLEXOS
(de cima para baixo)

1- Plexo Coronal: apresenta-se na cabeça, associado à glândula epífese.
2 - Plexo Frontal: apresenta-se na parte frontal da cabeça, associado à glândula hipófise.
3 - Plexo Laríngico: assenta-se no pescoço, associado à glândula tireóide.
4 - Plexo Cardíaco: apresenta-se no tórax, associado ao timo, responsável pela produção de elementos sangüíneos na defesa imunológica (linfócitos).
5 - Plexo Solar: assenta-se na região epigástrica, associado ao pâncreas.
6 - Plexo Esplênico: assenta-se na região do hipocôndrio esquerdo, associado ao baço e fígado,
7 - Plexo Genésico: apresenta-se na região hipogástrica, associado à glândula supra-renal, rim e gônadas.
Nas questões 375 á 360 do livro dos espiritos fala sobre o assunto:
 
   357. Quais são, para o Espírito, as conseqüências do aborto?
      Uma existência nula e a recomeçar.
      358. O aborto provocado é um crime, qualquer que seja a época da concepção?
     Há sempre crime quando se transgride a lei de Deus. A mãe ou  qualquer pessoa cometerá sempre um crime ao tirar a vida à criança antes do seu nascimento, porque isso é impedir a alma de passar pelas provas de que o corpo devia ser o instrumento.
     359. No caso em que a vida da mãe estaria em perigo pelo nascimento   da criança, há crime em sacrificar a criança para salvar a mãe?
      —É preferível sacrificar o ser que não existe a sacrificar o que existe.
      360. E racional ter pelos fetos o mesmo respeito que se tem pelo corpo de uma criança que tivesse vivido?
      Em tudo isto vede a vontade de Deus e a sua obra, e não trateis levianamente as coisas que deveis respeitar. Por que não respeitar as obras da criação, que, às vezes, são incompletas pela vontade do Criador? Isso pertence aos seus desígnios, que ninguém é chamado a julgar.

ABORTO


PRÁTICA CRIMINOSA
 
O aborto é prática criminosa, negativa, anti-ética e anticosmoética em quase todos os níveis, instâncias e circunstâncias morais, sociais e espirituais. Sob o ponto de vista consciencial é muito complexo analisar, mas somente no caso de um estupro, o aborto, veja bem, será atenuado como causa kármica. 
 
O prejuízo pessoal-consciencial de quem pratica o aborto é muito maior do que perder o casamento, ficar "defamada", brigar com os pais ou até mesmo ser expulsa do lar. Mais vale a pena assumir o bebê sozinha e em condições aparentemente desfavoráveis do que ser triplamente infeliz mais tarde.
 
Quando digo ser infeliz, estou sendo mais amplo do que você leitor imagina. O aborto trás grande consciência de culpa aos pais (ao homem também ao contrário do que se pensa!) e trás desequilíbrios físicos (de saúde), psicológicos, espirituais-bioenergéticos-kármicos. Até a saúde do homem também pode ser mais ou menos prejudicada conforme o caso. O aborto em casos mais graves pode causar até impotência sexual masculina.
 
O prejuízo kármico é tão grande que boa parte das vezes vem na mesma vida retificar o erro dos pais. O pai de filho abortado tem a ter doenças e acidentes no joelho esquerdo. O aborto é pior que assassinato a mão armada. É isto mesmo! Um bandido que assalta e mata adquire menos karma que os pais que praticam o aborto.  Reencarnação é um caso sério. É como desafiar Deus. Abortar é matar um ser na condição mais indefesa e covarde que se possa imaginar no templo da existência. 
 
O ser que se candidata a reencarnar num certo casal indica que há um compromisso kármico, sério, anterior assumido em que não se deve fugir. Quando se foge do karma ele aumenta e fica mais forte. Quem acha que pode praticar um ato abominável deste e sair impune está muito enganado. O karma negativo é adquirido tanto pelo pai como pela mãe em condições iguais. Com certeza absoluta o pai que não dá apoio emocional, psicológico e financeiro dentro de suas possibilidades adquire o mesmo karma ou até maior que se imagina, pois em tempo de gravidez a mulher fica hipersensível. 
 
Talvez você ache que Deus é um burro que não percebe nada, talvez você se ache esperto demais, mas não há saída: assumir o bebê pode ser um fardo pesadíssimo, mas abortá-lo é um fardo 100 vezes maior.
Quem aborta não acredita em Deus, nem em si, nem no bem, nem nos amparadores, anjos da vida e nem em nada. Talvez a Lei Magna Justa do Karma vá lhe transformar no feto abortado na próxima vida, digo, na próxima tentativa de reencarnar. Isto não é ameaça ou vingança, é a Lei de Causa e Efeito gerada por nós mesmos.  "A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória"


 
UMA HISTÓRIA REAL
 
Certa mãe carregando nos braços um bebê, entrou num consultório médico e, diante deste, começou a lamuriar-se: 
- Doutor, o senhor precisa me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida de novo! Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas sim num espaço grande entre um e outro.
Indaga o médico: 
- Muito bem... e o que a senhora quer que eu faça?
A mulher, já esperançosa, respondeu:
- Desejo interromper esta gravidez e quero contar com sua ajuda.
O médico pensou alguns minutos e disse para a mulher:
- Acho que tenho uma melhor opção para solucionar o problema e é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorria, certa que o médico aceitara o seu pedido, quando o ouviu dizer:
- Veja bem, minha senhora... para não ficar com dois bebês em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, o outro poderá nascer... Se o caso é matar, não há diferença para mim entre um e outro. Até porque sacrificar o que a senhora tem nos braços é mais fácil e a senhora não corre nenhum risco. 
A mulher apavorou-se:
- Não, doutor!!! Que horror!!! Matar uma criança é crime!!! É infanticídio!!!
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, convenceu a mãe de que não existe a menor diferença entre matar uma criança ainda por nascer (mas que já vive no seio materno) e uma já crescida. O crime é
exatamente o mesmo e o pecado, diante de Deus, exatamente o mesmo.

Texto extraído do Expresso Vida nº 28 (03 de Setembro de 2000), adaptado por Mely.
 

VISÃO ESPIRITUAL DO ABORTO
Por Wagner Borges

O aborto é como um espelho partido. Quando as pessoas notam as conseqüências espirituais do ato leviano, já há vários feridos, cortados pela natureza do desespero e pela imaturidade dos envolvidos no processo. Daí, só há um remédio: o carma surge e passa a "pomada do destino" nos cortes de todos, e sussurra ao tempo para que una os cacos do espelho partido na alma imatura.

O futuro vem por aí e atrairá os responsáveis pelo aborto para o devido reajuste consciencial.
Que as pessoas "pobres de espírito" se acautelem, pois há "cacos cármicos" espalhados em seus caminhos.
 
***
Em troca do prazer, muita gente comete loucuras e destrói o próprio equilíbrio. O culto exarcebado do hedonismo remete seus adoradores aos vales da loucura, presos a viciações de difícil solução. Os homens devem se precaver contra os tentáculos da ilusão do desejo desenfreado.
 
***

A clínica de abortos é um verdadeiro antro de trevas na face da Terra. É como um alçapão de dores, tragando o equilíbrio vital das criaturas. O profissional aborteiro e seus assistentes são autênticos médiuns das trevas, vertendo no mundo os raios de insanidade e destruição.

Que os interessados em um aborto pensem no seguinte: há magotes de espíritos umbralinos ligados energeticamente aos profissionais do aborto. Eles aderem às auras de mulheres infelizes e de pessoas coniventes com o ato, e usam-nas como portais energéticos para disseminar diversos ataques extrafísicos aos alvos humanos adredemente escolhidos.

Quem faz um aborto, além de se predispor a ajustes cármicos futuros com o aborteiro e com seus asseclas, ainda se submete à ação deletéria de espíritos obsessores (às vezes, por longo tempo) em sua vida.

- Ramatís e Os Iniciados - Recebido espiritualmente por Wagner Borges


REPERCUSSÕES ENERGÉTICAS CAUSADAS PELO ABORTO

 
É mais fácil freqüentar uma "fábrica de anjos"* e submeter-se aos cortes de um asqueroso profissional do aborto (açougueiro) do que assumir a responsabilidade pelos próprios atos.

Muitos homens covardes são coniventes com o aborto de suas mulheres e, às vezes, até incentivam-nas ao ato hediondo, mediante pressões variadas.

Muitas vezes, o aborto pode acarretar terríveis assédios espirituais aos responsáveis pela sua execução.

O aborto provoca sérios bloqueios energéticos nos chacras sacro (sexual) e básico da mulher (e, por vezes, até em seu companheiro), podendo acarretar no futuro vários problemas como: falta de vitalidade sexual, predisposição para sérias doenças na área genito-urinária e diversos problemas de natureza psicológica ou espiritual.

Às vezes, o bloqueio energético desce para a aura das pernas e acarreta distúrbios vibratórios nos chacras dos joelhos. Isso explica porque várias mulheres (e até seus companheiros) apresentam problemas em algum dos joelhos após o aborto.

Há uma coisa que não entendo: como algumas pessoas que estudam os assuntos espirituais e têm noção das leis de causa e efeito, cometem um aborto, mesmo sabendo das conseqüências?

Qualquer sensitivo bem desenvolvido pode observar, pela clarividência, as várias manchas escuras aderidas na aura da mulher que fez um aborto, bem como na aura do homem (ou parentes) que induziram-na ao ato tormentoso. Às vezes, por conta disso, observa-se também, "pencas de espíritos densos" agarrados no campo energético da pessoa.

Para as pessoas envolvidas em um aborto e que honestamente tomaram consciência da besteira que fizeram, há um excelente método para corrigir o problema:

TENHAM UM FILHO! AMEM A CRIANÇA (DO JEITO QUE ELA VIER) E TOQUEM A BOLA PARA A FRENTE!

Não adianta ter autoculpa pelos erros cometidos, pois o passado já se foi. É melhor crescer consciencialmente agora, vivendo o momento presente de maneira sadia e buscando agir corretamente da "próxima vez".

Algumas pessoas, mesmo tomando consciência das tolices cometidas, ainda continuam orgulhosas e teimosas. Outras procuram jogar a culpa no bode expiatório mais conveniente, dizendo algo como: "A culpa é sua, pois se houvesse mais compreensão de sua parte, nada disso teria acontecido!"

Entretanto, quem optou (e pagou) para transformar o útero em um cemitério foi a própria pessoa.

Não sou puritano, moralista ou ortodoxo espiritualmente. Meu objetivo ao escrever este texto não é ferir ou condenar ninguém, mas esclarecer! Reconheço que o assunto é duro e espinhoso, mas tem que ser abordado de maneira direta e clara. Além do mais, os amparadores extrafísicos que me ajudam têm me orientado a falar mais sobre este assunto.

Tenho duas filhas (Helena e Maria Luz) e só quem tem filho conhece o fluxo de amor que se abre no coração por esses pequeninos que o Criador nos emprestou por um tempo de vida.**

Para os interessados em pesquisar as repercussões espirituais do aborto, sugiro a leitura do ótimo livro de Luiz Sérgio, "Deixe-me viver" (Editora Rema) e os vários livros do espírito André Luiz (psicografados por Francisco Cândido Xavier; FEB)

- Wagner Borges -

* Fábrica de anjos: gíria popular carioca para designar a clínica que faz abortos.

"Vossos filhos não são vossos filhos. Eles são os filhos e filhas da ânsia da própria vida. Eles vêm através de vós, mas não de vós. E, embora estejam convosco, eles não vos pertencem. Vós sois o arco, através do qual vossos filhos vos foram enviados, como setas vivas."
- Kalil Gibran (1883-1931), maravilhoso escritor libanês, autor do célebre livro "O Profeta".

 

CARMA


Ainda há pouco, após escrever uma carta para uma pessoa, explicando-lhe as conseqüências cármicas do aborto, percebi espiritualmente no ambiente a presença de Ramatís e de alguns espíritos pertencentes à equipe extrafísica da Cia. do Amor. "Pegando um gancho" no tema da carta, eles me ditaram o seguinte:

"Quem tem créditos espirituais na praça, que se exponha.
Quem tem débitos espirituais, que se recolha!"

 
***

"Quem quiser um "quinhão de luz", que comece a construir algo bom.
Porém, quem quiser um "quinhão de dor", é só destruir o que for importante."

 
***

"As provas retificadoras estão aí para serem cumpridas à risca. Quem se acovarda, agrava o débito cármico. Isso é LEI CÓSMICA; é causa e efeito vital na vida de cada um. Que os fracos de espírito se acautelem, pois ninguém burla a justiça espiritual."
 
***

"Muitos espíritos reencarnam na Terra com a missão de fazer coisas boas e importantes. Porém, durante a romagem terrena, engolfam-se em energias viscosas e intenções deprimentes, enredando o próprio destino em malhas da perturbação espiritual. Perdem-se nos meandros do orgulho e projetam as farpas cármicas nas próprias estradas evolutivas que trilharão nos dias vindouros."
***

"Quem quiser crescer espiritualmente não tem alternativa: é fundamental evitar todo tipo de mal e aumentar consideravelmente a virtude!"
 
***

"De vez em quando, uma "sacudidela cármica" se faz necessária. É dolorida, mas é saudável. Faz pensar e nos leva à novos rumos..."
 
***

"O varejão cármico está sempre aberto e com várias ofertas aos viajantes do destino. Quem quiser pagar mais caro, cometa muitas besteiras. Quem quiser saldar as velhas dívidas, faça coisas boas na vida. Mas, acima de tudo, quem quiser ampliar os créditos espirituais, seja LUZ NAS ATITUDES O TEMPO TODO!"

 
***

"A verdadeira vitória pertence a quem não bate!"

 
***

"O carma avisa: o cabeça dura de hoje será o cabeça mole de amanhã!"

 
***

"O trem da vida está passando... Com o tempo virá o trem da morte e é impossível perdê-lo, pois ele arrasta todos os passageiros na direção da estação de prestação de contas da Natureza."

 
***

Está impresso em um dístico cármico do Além o seguinte enunciado: "O detonador de hoje será o sofredor de amanhã. Contudo, o benfeitor que se esforça hoje, já é a luz maravilhosa de agora, amanhã e sempre..."

- Ramatís e Cia. do Amor (A Turma dos Poetas em Flor)
Recebido espiritualmente por Wagner Borges - Textos extraídos do livro "Viagem Espiritual III" - Editora Universalista.
ALERTA ABORTO


Conseqüência natural do instinto de conservação da vida é a procriação, traduzindo a sabedoria divina, no que tange à perpetuação das espécies.

Mesmo nos animais inferiores a maternidade se expressa como um dos mais vigorosos mecanismos da vida, trabalhando para a manutenção da prole.

Ressalvadas raras exceções, o animal dócil, quando reproduz, modifica-se, liberando a ferocidade que jaz latente, quando as suas crias se encontram ameaçadas.

O egoísmo humano, porém, condescendendo com os preconceitos infelizes, sempre que em desagrado, ergue a clava maldita e arroga-se o direito de destruir a vida.

Por mais se busquem argumentos, em vãs tentativas para justificar-se o aborto, todos eles não escondem os estados mórbidos da personalidade humana, a revolta, a vingança, o campo aberto para as licenças morais, sem qualquer compromisso ou responsabilidade.

O absurdo e a loucura chegam, neste momento, a clamorosas decisões de interromper a vida do feto, somente porque os pais preferem que o filho seja portador de outra e não da sexualidade que exames sofisticados conseguem identificar em breve período de gestação, entre os povos supercivilizados do planeta...

Não há qualquer dúvida, quanto aos "direitos da mulher sobre o seu corpo", mas, não quanto à vida que vige na intimidade da sua estrutura orgânica.

Afinal, o corpo a ninguém pertence, ou melhor nada pertence a quem quer que seja, senão à Vida.

Os movimentos em favor da liberação do aborto, sob a alegação de que o mesmo é feito clandestinamente, resultam em legalizar-se um crime para que outro equivalente não tenha curso.

Diz-se que, na clandestinidade, o óbito das gestantes que tombam, por imprudência, em mãos incapazes e criminosas, é muito grande, e quando tal não ocorre, as conseqüências da técnica são dolorosas, gerando seqüelas, ou dando origem a processos de enfermidades de longo curso.

A providência seria, portanto, a do esclarecimento, da orientação e não do infanticídio covarde, interrompendo a vida em começo de alguém que não foi consultado quanto à gravidade do tentame e ao seu destino.

Ocorre, porém, na maioria dos casos de aborto, que a expulsão do corpo em formação, de forma nenhuma interrompe as ligações Espírito-a-Espírito, entre a futura mãe e o porvindouro filho.

Sem entender a ocorrência, ou percebendo-a, em desespero, o ser espiritual agarra-se às matrizes orgânicas e, à força da persistência psíquica, sob frustração do insucesso termina por lesar a aparelhagem genital da mulher, dando gênese a doenças de etiologia mui complicada, favorecendo os múltiplos processos cancerígenos.

Outrossim, em estado de desespero, por sentir-se impedido de completar o ciclo da vida, o Espírito estabelece processos de obsessão que se complicam, culminando por alienar-se a mulher de consciência culpada, formando quadros depressivos e outros, em que a loucura e o suicídio tornam-se portas de libertação mentirosa.

Ninguém tem o direito de interromper uma vida humana em formação.

Diante da terapia para salvar a vida da mãe, é aceitável a interrupção do processo da vida fetal, em se considerando a possibilidade de nova gestação ou o dever para com a vida já estabelecida, face à dúvida ante a vida em formação...

Quando qualquer crime seja tornado um comportamento legal, jamais se enquadrará nos processos morais das Leis Soberanas que sustentam o Universo em nome de Deus.

Diante do aborto em delineamento, procura pensar em termos de amor e o amor te dirá qual a melhor atitude a tomar em relação ao filhinho em formação, conforme os teus genitores fizeram contigo, permitindo-te renascer.

Livro: Alerta - pelo espírito Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Pereira Franco

LIVRO ABORTO A LUZ DO ESPIRITISMO

AUTOR: Eliseu Florentino da Mota Jr.
EDITORA: O Clarim

Prefácio:

Notas sobre o aborto e a sociedade permissiva

A acreditar nas estatísticas da Organização Mundial da Saúde, ocorrem no Brasil mais de dois milhões de abortos provocados, o que equivaleria praticamente ao número de nascimentos.

Curiosamente, esta comprovação não suscita nenhum movimento expressivo em favor da vida, mas pelo contrário exaspera certos ânimos no sentido de que se despenalize essa prática clandestina. Ao mesmo tempo em que se luta contra a mortalidade infantil, pede-se a legalização do aborto. A que se deve semelhante disparidade ?

Se, há alguns anos, mal se podia obter uma anuência relutante dos partidários do aborto mostrando-lhes que o feto devia ser protegido ao menos como expectativa de vida, hoje, graças aos avanços da embriologia, não há quem discuta que o feto é desde o momento exato da fecundação um ser humano. Por que então a incoerência?

Indo diretamente ao fundo das coisas, pode-se dizer que a bandeira pró-abortista não passa de um corolário-limite do movimento de emancipação da mulher. A reivindicação da plena igualdade do homem e da mulher havia de acabar levando a que esta quisesse usar do sexo sem olhar a conseqüências. Daí a defesa dos anticoncepcionais e, como garantia última, a tese da legalização do aborto.

Não adiantava esclarecer que o feto não pode ser considerado parte do corpo da mãe, suscetível de ser eliminado como se elimina uma verruga no rosto. Não adiantava mostrar que esse ser humano é, desde as primeiras horas, absolutamente independente da mãe, que é ele quem comanda o seu próprio desenvolvimento, e mais: que é ele quem dá as ordens à mãe. Também não adiantava fazer ver que o concebido, como diz o Prof. Jerôme Lejeune, se aloja no seio materno como o cosmonauta na sua cápsula espacial: sem esta morreria, mas nem por isso cabe na cabeça de ninguém dizer que é a nave espacial que cria o cosmonauta.

Assistiu-se então ao desfilar de opiniões ao desbarato, oriundas de figuras femininas notáveis nos mass-media, que se erigiam em mestras de direitos humanos para proclamarem que o direito humano era delas, não do filho gerado (Folha de S. Paulo, 07.06.84). Como é que uma artista de cinema podia deixar crescer o tumor, se com isso iria prejudicar as filmagens? (Isto é, 21.09.83, pág. 39). E por aí afora.

Mas como em ninguém fica bem o egoísmo cruel, vinha a pincelada da reivindicação social: quem mais sofre com a penalização do aborto são as mães de condição modesta que, não podendo recorrer aos serviços médicos do Estado, caem nas mãos da clandestinidade e correm forte risco de vida, como se demonstra pelos 400.000 casos anuais de atendimento médico no país em conseqüência de abortos mal feitos. As mulheres ricas vinham assim em ajuda das mulheres pobres, e reclamavam para estas o mesmo que uma delas dizia ter tido para os seus dezesseis abortos, com todos os meios à sua disposição (Isto é, 21.09.83).

É de mencionar a cobertura que deram a esta reivindicação certos órgãos de imprensa, não só porque numa imprensa livre é de bom tom tudo referir e debater e, aliás, não é com bons sentimentos que se faz bom noticiário, mas também porque por trás estava o lobby do comércio do sexo, empenhado na liberação sexual e nas suas práticas descartáveis.

Mas está também o interesse do Estado. Quando se vê que o esboço do texto constitucional ora em estudo (* esse artigo foi escrito em 1987) não se atreveu a inserir um preceito claro protegendo a vida a partir da concepção, fica-se a pensar o que realmente pretenderão as forças que atuam na configuração futura de uma sociedade que se quer mais humana. Não sabem elas que o primeiro dos direitos humanos, a fonte de todos os demais, é o direito à vida? Sabem, sim, mas não é nada mau deixar as mãos livres ao legislador ordinário para que, consoante as circunstâncias, possa socorrer-se do aborto como meio de controle da natalidade. Mais um, o meio extremo, mas estatisticamente de peso extraordinário.

Duas coisas entre tantas, brutalmente elementares, ressaltam no jogo mais consciente ou menos consciente da luta pró-aborto: o nivelamento dos valores humanos por baixo e a miopia na condução da coisa pública.

Quando as feministas reclamam plena igualdade sexual com o homem e, como se lê em artigo publicado na Folha de S. Paulo (cad. Mulher, 26.06.84, pág. 11), "colocam a questão do aborto como essencial ao movimento de emancipação da mulher das suas amarras patriarcais e da exploraçã
a questão do aborto como essencial ao movimento de emancipação da mulher das suas amarras patriarcais e da exploração tradicional do seu papel de reprodutoras", o que fazem é dar por boa uma visão da sexualidade que degrada quem a aceita, seja homem, seja mulher.

Sabe-se que o sexo, se quiser ser um valor humano, tem que ser manifestação do amor interpessoal, coisa de que os animais não são capazes, e há de estar aberto à vida, com toda a carga de responsabilidades que suscita, tanto para a mulher como para o homem. Não se pode evitar a impressão clara de que, ao pretenderem equiparar-se ao homem no uso insolidário do sexo, as mulheres querem para elas a mesma dignidade do homem-animal. Com isso, não somente contrariam as leis da natureza, de que deriva o equilíbrio racional dos indivíduos e da sociedade, mas ambicionam a sua própria destruição, antes de mais nada pelo trauma do aborto, e depois pelo aniquilamento da feminilidade, magnificamente associada ao mistério da maternidade. Não há dúvida de que é um nivelamento por baixo.

Mas desce-se ainda mais e eleva-se a categoria de raciocínio válido a idéia de que, se o aborto é uma prática generalizada, deve ser legalizado. Já se tem feito ver, sem necessidade de chegar a precisões filosóficas ou sociológicas, que, nesse caso, se deveria proceder do mesmo modo com tantas outras mazelas da nossa conjuntura histórica. Se vêm aumentando os crimes, os roubos à mão armada, a corrupção dos "colarinhos brancos", por que não proteger esses direitos humanos e dar-lhes o amparo da lei? Outra vez o nivelamento por baixo.

Miopia

Mas o outro aspecto não é menos assustador: a visão míope dos responsáveis na condução da coisa pública. O Estado deixou de ser, em amplas parcelas, o elemento ordenador da sociedade, aquele que a chama à razão em nome do bem de todos, incumbido de canalizar e potenciar as verdadeiras forças e aspirações do corpo social, para ser apenas o cúmplice e o instrumento todo-poderoso desse nivelamento por baixo.

Numa sociedade de consumo, a pessoa se vê tão dominada pelo individualismo mais selvagem que não se importa de lançar-se nos braços do estatismo mais asfixiante para garantir uma liberdade sem responsabilidade. Paradoxalmente, é o liberalismo mais cego que reclama a manipulação do Estado no que há de mais íntimo ao homem: o direito a ser respeitado, sem pressões nem injunções, nos seus modos de ser pessoa. É evidente que, invadida a autonomia da família pelo Estado, quase nada mais escapará à sua ação. Não se demorará a pedir que o Estado suprima seres humanos em atenção a critérios eugenésicos, que se chegue à eutanásia para eliminar seres não produtivos. Há Estados que hoje trilham os mesmos caminhos nazistas, com a agravante de que o fazem em nome e em defesa da liberdade individual.

A miopia salta aos olhos. Um Estado inclinado a favorecer a prática das técnicas anticoncepcionais e a calar perante o aborto ou a abrir-lhe uma pequena fresta legal, tenta melhorar a renda por cabeça diminuindo o número de cabeças pelas quais dividir o produto nacional bruto. É uma solução de curto alcance, de quem empurra os problemas com a barriga, pois não há dúvida de que, em prazo não superior a duas gerações, estarão criadas todas as condições para uma população decrescente e envelhecida. Não faltam experiências históricas e dos nossos dias que o atestam.

O imediatismo leva a procurar panacéias. A visão de Estado leva a implantar soluções. E sabe-se que a alavanca da solução sempre esteve num crescimento racional da população. Onde há uma boca que come há dois braços que trabalham, e onde há uma população jovem em demanda de trabalho há um estímulo para os investimentos e há um frêmito de criatividade.

Essa miopia torna-se aflitiva em toda a questão mais abrangente da expansão sadia da família, célula de uma sociedade em que os valores humanos não se hão de impor de cima para baixo, mas devem surgir da autenticidade das consciências. E não se trata de uma utopia.

O ser humano nasce de uns pais, tem direito a uma família unida, baseada no respeito à vida e no esmero com os filhos realmente desejados. Sem as estridências do consumismo, sem as angústias da escassez. Cabe aos governantes propiciar às famílias esse ar respirável, orientando o desenvolvimento econômico do país para níveis mínimos de desafogo. Mas cabe-lhe antes mudar o clima antifamília e antinatalidade que domina as mentalidades na geração do egoísmo.

De pouco serve os responsáveis obcecarem-se com o problema econômico se paralelamente sustentam o direito à dissolução do vínculo conjugal quantas vezes se quiser e por que motivo for, se equiparam sem a menor ressalva o matrimônio legítimo ao concubinato, se fazem alarde de uma campanha que tem por base a rejeição social do filho, não só mediante uma informação indiscriminada sobre os métodos do controle da natalidade, como pela inexistência de facilidades para as famílias numerosas ou das que ao menos estejam acima do crescimento zero. Não há dúvida de que se trata de uma situação de miopia, que a seu tempo terá de pagar o seu preço. Com a diferença de que não se resgata uma situação de descaso pela família e de repulsa ao filho com a facilidade com que se implanta.

Na última parte do livro Aborto e Sociedade Permissiva (Editora Quadrante, 1987), o prof. Walter Moraes apresenta um pequeno elenco de medidas, detendo-se sobretudo na adoção, capazes de oferecer opções válidas para a pura eliminação do feto. São medidas que, com variantes, são reclamadas dos órgãos legislativos e governamentais em todos os países.

A par dessas medidas específicas, impõe-se porém todo um clima de favorecimento dos valores da vida, próximos e remotos: condignos salários-família, alojamento, transportes, serviços médicos, acesso à educação, e uma vigilância responsável pelo nível humano do caudal de informações e entretenimentos, sem receio de se cair no controle ideológico, mas resgatando esses meios de comunicação do patológico e do nivelamento por baixo.

O caso do aborto é, hoje em dia, um caso-limite. Mas é bom que vivamos uma época em que o nível de dignidade humana claramente retrocedeu em alguns pontos vitais, sob o argumento de defendê-la. Precisamente por isso, porque não se pode descer mais baixo, talvez seja a oportunidade de recomeçar a subir. Tudo está a exigir dos responsáveis que elevem as suas miras para espaços verdadeiramente humanos, até os ares puros da visão racional e audaz da condição humana no seu devir histórico.

Fonte: Extraído da nota editorial do livro Aborto e Sociedade Permissiva, de Pedro-Juan Viladrich, 1a Edição, Editora Quadrante, São Paulo, 1987

A questão do aborto e da sua legislação situa-se hoje no centro de um debate apaixonado, que além das discussões médicas e legais envolve as bases da moral e da sociedade.
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O aborto no Brasil é tipificado como crime contra a vida pelo Código Penal Brasileiro, prevendo detenção de 1 a 10 anos, de acordo com a situação.[1] O artigo 128 do Código Penal dispõe que não se pune o crime de aborto nas seguintes hipóteses:
  1. quando não há outro meio para salvar a vida da mãe;
  2. quando a gravidez resulta de estupro.
Segundo juristas, a "não punição" não necessariamente deve ser interpretada como exceção à natureza criminosa do ato, mas como um caso de escusa absolutória (o Código Penal Brasileiro prevê também outros casos de crimes não puníveis, como por exemplo o previsto no inc. II do art. 181, no caso do filho que perpetra estelionato contra o pai). A escusa não tornaria, portanto, o ato lícito, apenas desautorizaria a punição de um crime, se assim o entendesse a interpretação da autoridade jurídica.[2][3][4]
O artigo 2º do Código Civil Brasileiro estabelece, desde a concepção, a proteção jurídica aos direitos do nascituro, e o artigo 7º do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe que a criança nascitura tem direito à vida, mediante a efetivação de políticas públicas que permitam o nascimento.
Em 25 de setembro de 1992, o Brasil ratificou a Convenção Americana de Direitos Humanos, que dispõe, em seu artigo 4º, que o direito à vida deve ser protegido desde a concepção. A Constituição Federal do Brasil, no caput do seu artigo 5º, também estabelece a inviolabilidade do direito à vida.
Em julho de 2004, no processo da ação de descumprimento de preceito fundamental n. 54/2004, o Ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar autorizando a interrupção da gravidez nos casos de anencefalia. Todavia, esta decisão foi revogada em 20 de outubro do mesmo ano pelo plenário do Tribunal. Até hoje, contudo, ainda não foi julgado o processo.
Para a lei e a jurisprudência brasileira, "pode ocorrer aborto desde que tenha havido a fecundação" (STF, RTJ 120/104[5]). A legalização do aborto, no Brasil, ainda está em votação.

Canadá

O aborto não é restringido pela lei canadense. Desde 1969 que a lei permite a prática de aborto em situações de risco à saúde, e, a partir de 1973, a interrupção voluntária da gravidez deixou de ser ilegal. O Canadá é um dos países do mundo que dá mais liberdade de fazer um aborto; o acesso ao aborto é fornecido pela assistência médica pública para os cidadãos canadenses e para os residentes permanentes, nos hospitais do país.
De 1994 a 1998, membros de movimentos "pro-life” alvejaram com armas de fogo quatro médicos que praticavam abortos, tendo um sido assassinado em 1998. Em 1992, uma bomba incendiária causou severos danos numa clínica onde se realizavam abortos

Chile

No Chile o aborto é proibido em qualquer circunstância, incluído fins terapêuticos, durante todo o período da gestação. A ilegalização da interrupção voluntária da gravidez inclui as gravidezes ectópicas.
O aborto foi legal no Chile de 1964 a 1973, durante esse tempo as complicações por aborto baixaram de 118 para 24 por 100 mil nascimentos.

Cuba

O aborto é permitido até as dez primeiras semanas de gravidez, regra que vigora desde o triunfo da revolução comunista, em 1959. Cuba é o único país hispânico em que o aborto é legal sem restrições. A Cidade do México e uma outra exceção.

México

No México a legislação sobre o aborto é muito regional. Existem estados onde o aborto é legal quando o feto apresenta alguma deformação genética ou quando é produto de uma violação. Recentemente no ano 2009 em muitos estados mexicanos passaram leis que proíbem qualquer forma de aborto como reação ao fato de que o aborto é legal na Cidade do México desde 2008, com a única limitação de que seja praticado nos trés primeiros meses de gestação. O aborto neste caso é praticado e assistido em clinicas do estado com atenção medica especializada e gratuita 

Nicarágua

Em Nicarágua o aborto é proibido em qualquer circunstância e durante todo o período da gestação.

Estados Unidos da América

O aborto é legal, desde os anos 70, na esmagadora maioria dos estados, só não é legal no Dakota do Sul. É também legal quando a mulher invoca factores socioeconómicos.

Europa

Em todos os países da Europa, excepto Malta, o aborto não é penalizado em situações controladas.

Alemanha

O aborto é permitido até às doze semanas a pedido da mulher após aconselhamento médico, ou em consequência de violação ou outro crime sexual. É também permitido após as doze semanas por razões médicas que possui, segundo a lei alemã, uma definição lata, incluindo saúde mental e condições sociais adversas.
A interrupção da gravidez é regulada na Alemanha pelo Artigo 218 do Código Penal.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos manteve-se entre 20 e 21% de 1980 a 1985, tendo diminuído até 13% em 1995. Em 1996 houve um aumento abrupto para 16%, mantendo-se em 1997 e a taxa de 2000 foi de 18%.

Áustria

O aborto é permitido até as doze semanas a pedido da mulher (lei de 1975). Permitida após as doze semanas em caso de perigo de vida, risco de malformação do feto, mulher menor de 14 anos.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos manteve-se estável em cerca de 15% de 1960 a 1974, tendo em 1975 tido um salto para 28% e diminuindo gradualmente até 17% em 1988. Em 1989 houve uma quebra signficativa para 4.1% tendo mantido valores entre 3.9% e 2.8% desde então.

Bélgica

O aborto é permitido até as doze semanas quando a gravidez coloca em risco a mulher, razões sociais ou económicas. Permitida após as doze semanas em caso de sério risco para a saúde
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos tem variado entre 9% e 23% de 1992 a 1999, não apresentando dados para outros anos.

Bulgária

O aborto é permitido a pedido da mulher até às doze semanas. Até às vinte semanas por risco médico. Permitida após as vinte semanas em caso de má formação do feto.
Segundo dados da Eurostat, há um número semelhante[4] de abortos legais e nados-vivos desde 1960 a 1999. Estes valores diminuíram ligeiramente em 2000 e a taxa passou para 75% em 2001.

Dinamarca

O aborto é permitido até as doze semanas a pedido da mulher mediante a apresentação de um requerimento a um médico ou centro social, que aconselhará a mulher e a encaminhará para um hospital, se mantiver a intenção de interromper. Permitida após as doze semanas em caso de risco de morte ou saúde física da mulher, risco de malformação do feto.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos manteve-se [5] estável em cerca de 5% de 1960 a 1967, tendo aumentado rapidamente até 41% em 1976 e estabilizando até 1981 altura em que começou a diminuir gradualmente até 25% em 1994 tendo-se mantido mais ou menos estável desde então.

Espanha


O aborto na Espanha é permitido até a 14ª semana de gestação e, até a 22ª, desde que a gestação possa comprometer a vida ou a saúde da gestante ou constatada malformação no feto, se certificada por dois médicos. Após esse período, o aborto fica condicionado, a partir de laudos de um painel de médicos, à anomalia fetal que signifique risco à vida ou quando o feto sofrer de doença grave e incurável.[1] O aborto foi legalizado na Espanha em 1985, pelo governo socialista de Felipe González com algumas condições.

França


Grécia

O aborto é permitido até as doze semanas a pedido da mulher. Permitida até as vinte semanas em caso de risco de morte ou saúde física ou mental da mulher, violação ou outros crimes sexuais. Permitida até as 24 semanas no caso de risco de malformação do feto.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos aumentou [6] de 7.3% em 1989 para 12.2% em 1994.

Países Baixos

O aborto é permitido até as treze semanas a pedido da mulher. Permitida após as 24 semanas em comprovadas situações de dificuldade e falta de alternativas da mulher, decisão tomada entre a mulher e um médico.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos manteve-se [7] estável entre 9.5% e 9.9% em 1985 e 1992 tendo aumentado ligeiramente desde então até 11.6% em 1997.

Itália

O aborto é permitido até aos noventa dias (entre as doze e treze semanas) por razões sociais (incluindo as condições familiares e/ou as circunstâncias em que se realizou a concepção), médicas ou económicas: de facto, a pedido da mulher[carece de fontes]. Permitida em qualquer momento em caso de risco de morte ou saúde física ou mental da mulher, risco de malformação do feto, violação ou crime sexual.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos aumentou[8] de 32% em 1980 para 39% em 1984 tendo diminuído gradualmente desde então até 26% em 1992 e mantendo-se mais ou menos estável até 1999.

Irlanda

O aborto é permitido apenas em caso de risco de morte da mulher, incluindo o de suicídio.

Malta

O aborto é proibido em qualquer circunstância.

Noruega

O aborto é permitido a pedido da mulher até as doze semanas. Permitida após as 12 semanas para proteger a saúde da mulher e nos casos de violação.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos variou [9] entre 25% e 31% de 1974 a 1992, tendo-se mantido entre 25% e 23% até 2001.

Polônia

O aborto é permitido em caso de violação (estupro), incesto, risco de morte ou saúde física da mulher ou risco de malformação do feto. Nos casos de justificação médica a mesma tem de ser realizada por dois médicos diferentes do que vai realizar o aborto [10].
Na Polônia o aborto foi livre durante o regime comunista até 1993. Movimentos fazem campanha para que a Constituição polonesa seja reformada, no sentido de ampliar a proteção legal da vida humana até o momento da concepção. Há também movimentos que defendem a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez à semelhança da maioria dos países da União Europeia.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos aumentou[11] de 23% 1963 para 30% em 1967, tendo diminuído até 20% em 1987. A partir deste ano há uma quebra acentuada e os valores chegam a 2.3% em 1992 tendo mantido valores inferiores a 0.25% desde então.

Portugal


O aborto é permitido em Portugal até às dez semanas de gestação a pedido da grávida. A Lei nº 16/2007 de 17 de Abril indica que é obrigatório um período mínimo de reflexão de três dias e tem de ser garantido à mulher "a disponibilidade de acompanhamento psicológico durante o período de reflexão" e "a disponibilidade de acompanhamento por técnico de serviço social, durante o período de reflexão" quer para estabelecimentos públicos quer para clínicas particulares. A mulher tem de ser informada "das condições de efectuação, no caso concreto, da eventual interrupção voluntária da gravidez e suas consequências para a saúde da mulher" e das "condições de apoio que o Estado pode dar à prossecução da gravidez e à maternidade". Também é obrigatório que seja providenciado "o encaminhamento para uma consulta de planeamento familiar."
O período de permissão é estendido até às dezesseis semanas em caso de violação ou crime sexual (não sendo necessário que haja queixa policial), até às vinte e quatro semanas em caso de malformação do feto.
É permitido em qualquer momento em caso de risco para a grávida ("perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida") ou no caso de fetos inviáveis.

Reino Unido

O aborto é permitido até as 24 semanas por razões sociais, médicas ou económicas. Permitida após as 24 semanas nos casos de risco para a vida da mãe, risco de grave e permanente doença para a mãe e nos casos de risco de malformação do feto.
O aborto é legal na Inglaterra, Escócia e País de Gales desde 1967. Nessa altura, a legislação britânica era uma das mais liberais da Europa. Hoje, a maioria dos países europeus adoptaram legislação semelhante.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos manteve-se [12] estável entre 23% e 26% de 1985 a 1997, tendo aumentado até 30% em 2001.

Suécia

O aborto é permitido a pedido da mulher até as dezoito semanas. Permitida até as 22 semanas por motivos de força maior (ex: inviabilidade do feto).
A primeira legislação aceitando o aborto na Suécia foi emitida em 1938. Previa que o aborto seria legal caso existissem razões médicas, humanitárias ou eugénicas.
Segundo dados da Eurostat, a taxa de abortos legais por nados-vivos aumentou [13] de 3% em 1960 para 36% em 1979 tendo-se mantido entre 28 e 36% desde então.

Suíça

O aborto é permitido até as doze semanas quando a mulher se encontra numa situação de emergência. A mulher deve ser informada exaustivamente antes de se submeter à intervenção.
O aborto é regulado pelo artigo 119 do Código Penal.

Ásia

República da China (Formosa ou Taiwan)

O poder executivo da República da China (Taiwan) propôs uma emenda à legislação vigente sobre o aborto que, entre outras coisas, estabelece um período de "reflexão" de três dias para todas as mulheres que desejem abortar. Isto devido a recentes estatísticas que revelam um número maior de abortos que de nascimentos por ano no país. Segundo um estudo de 1992 publicado pelo Journal of the Royal Society of Health, 46 por cento das mulheres de Taiwan já se submeteram a um aborto. A agência Associated Press informa que vários proeminentes ginecólogos de Taiwan actualmente crêem que há mais abortos que nascimentos por ano, uma cifra estimada em 230 mil abortos.
A emenda obrigaria as mulheres a provar que consultaram seu médico antes de buscar um aborto, e as menores de 18 anos teriam que contar com autorização de seus pais ou tutores.

Oceania

AUSTRIA

O aborto na Austrália é legal desde a década de 1970, mas o governo anunciou um plano para reduzir o número de abortos no país[1] [2] [3] [4], onde anualmente 100 mil crianças são abortadas. Para o governo australiano este número é excessivo. A fim de reduzir a prática do aborto, o governo federal da Austrália vai investir 51 milhões de dólares australianos (aproximadamente 40 milhões de dólares americanos) num programa de aconselhamento à gestante e prevenção do aborto.

Nova Zelândia

O aborto é permitido, desde 1977, até as vinte semanas de gravidez, e depois das vinte semanas, se prejudicar a saúde da mulher. A regulamentação requer que o aborto após as doze semanas de gestação têm que ser realizadas em “instituições licenciadas”, que são normalmente hospitais.
Dados atualizados até o dia 28 de abril de 2011

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