quarta-feira, 24 de abril de 2013

Vida ultrafísica em dimensão paralela


Por Pedro de Campos

segunda-feira, 4 de março de 2013

Mistério: estrondos sem causa aparente assustam o mundo


Pessoas do mundo todo relatam barulhos assustadores e inexplicáveis, que soam como trovões. Porém, a causa desse fenômeno pode estar no interior da Terra.Há relatos de estrondos misteriosos mesmo em lugares remotos da Carolina do Norte.
De repente, um grande estrondo quebra a calma do dia. A princípio, parece um trovão, mas o céu está limpo e azul como nunca. Essa é uma cena razoavelmente comum na Carolina do Norte, Estados Unidos, e poderia ser apenas um fato cotidiano e sem importância, não fosse a presença de muitos relatos semelhantes, provenientes de partes diferentes do mundo.

De acordo com o artigo “What’s that sound?”, publicado na revista New Scientist de 18 de fevereiro de 2012, há séculos esse tipo de fenômeno vem sendo testemunhado pelos seres humanos. Na região do lago Seneca, nos Estados Unidos, o evento misterioso ganhou o nome de Seneca guns; na cordilheiro dos Apeninos, na Itália, os barulhos são conhecidos como brontidi; e, no Japão, eles ganharam o apelido de yan. Já a Bélgica optou por uma expressão curiosa: mistpouffers, que em bom português quer dizer “arrotos do nevoeiro”.

Boa parte dos barulhos naturais que ouvimos possui uma explicação plausível, como tempestades ou o quebrar de ondas no mar. Porém, essas respostas parecem insuficientes para explicar os estrondos ouvidos na Carolina do Norte e em outros locais. Outra possível explicação seria a ação do ser humano sobre a Terra, mas o fenômeno também ocorre em locais afastados e longe de grandes centros.
Teorias demais, certezas de menos

Existem diversas ideias sobre a causa desses barulhos assombrosos. A primeira explicação que vem à mente de muitas pessoas são trovões, ou seja, rápidas expansões de ar causadas pelo aumento de calor e de pressão provocado pelos raios. Porém, a Carolina do Norte possui um clima calmo e as tempestades são raras.

Além disso, como reportado pela revista, o especialista em acústica da Universidade do Havaí, Milton Garces, afirma que o oceano também pode provocar barulhos muito curiosos por meio do impacto de uma onda com a superfície ou, então, pelo ar comprimido que pode ser expelido de dentro dela. Entretanto, esse tipo de evento também é percebido em locais afastados da costa.
Até mesmo meteoros já foram apontados como culpados (Fonte da imagem: Shutterstock). Há também quem acredite que esses estrondos sejam causados por meteoros que sobrevivem à entrada na atmosfera terrestre. Como estão caindo à uma velocidade muito alta, é provável que produzam uma explosão sônica e que o rastro deixado por eles já tenha desaparecido quando o barulho chega aos ouvidos dos cidadãos locais. Mas, em entrevista para a New Scientist, o geofísico Michael Hedlin afirma que um evento como esse seria raro e, portanto, não condiz com as explosões ouvidas no período de alguns meses ou anos.

Outra possibilidade está na liberação e explosão de grandes quantidades de metano do fundo do mar. Porém, é muito pouco provável que esse gás seja liberado com a velocidade e quantidade ideal para que isso acontecesse. Alguns também culpam a presença de bases militares na região, mas a verdade é que os barulhos também são ouvidos a uma distância muito longe delas.

Eliminando todos esses suspeitos, ainda sobra um possível culpado por trás desse mistério: terremotos não detectados.
Quando a Terra resolve “falar” 
Terremotos podem ser a causa dos barulhos inexplicáveis.

De acordo com a New Scientist, a região da Carolina do Norte possui uma rede muito deficiente de sismógrafos e, por isso, vários terremotos pequenos podem passar despercebidos. David Hill, cientista emérito da Unites States Geological Survey (USGS), acredita que não são necessários grandes sismos para que um ruído enorme seja ouvido.

Terremotos menores acontecem o tempo todo, mesmo longe das fronteiras de placas tectônicas e, apesar de serem quase indetectáveis pelos sismógrafos, juntos esses sismos poderiam causar um estrondo capaz de ressoar superfície afora. Entretanto, não é fácil confirmar, com exatidão, que essa é a causa dos “trovões” da Carolina do Norte.

Quem já passou por um terremoto sabe o quão barulhenta pode ser a situação. Afinal, quando a crosta terrestre treme, tudo o que está sobre ela também balança: carros, edifícios, casas, prateleiras, mesas etc. Sendo assim, fica difícil saber qual é o som de um terremoto sem que construções e objetos interfiram nele.

Uma pessoa que chegou muito perto de saber como soa um sismo é um dos colegas de Hill, Malcom Johnston. Em 2008, enquanto estava a uma profundidade de 3,6 km, em uma mina de ouro sul-africana, Johnston presenciou um terremoto de magnitude 2 que se originou a 20 metros de distância dele. De imediato, ele ouviu um som que se parecia com uma sequencia de trovões, mas que também possuía ruídos de alta frequência sobrepostos.

Na superfície, a sensação é diferente, pois apenas as ondas de uma frequência muito baixa chegam até nós e, normalmente, elas não são percebidas pelo ouvido humano. Já as ondas audíveis e de comprimentos menores, de 20 hertz a 20 quilohertz, acabam sendo absorvidas e dispersadas pelas pedras atravessadas ao longo do caminho.
Clima e solo também influenciam

Hill acredita que o barulho de terremoto pode ser ouvido na superfície sob determinadas condições. Um sismo não muito profundo, por exemplo, pode aumentar as chances de que o ruído chegue até os ouvidos das pessoas. Além disso, a constituição do solo colabora para barrar ou não o estrondo: rochas como o granito, por exemplo, não dispersam tanto as ondas de som.

Caso o barulho encontre uma fenda, ele chega ainda mais facilmente à superfície, já que pode viajar sem obstáculos. Como se não bastasse, o clima também exerce influência sobre a propagação da onda. Uma camada de ar quente na atmosfera, por exemplo, pode fazer com que o som alcance distâncias ainda mais longas.

Mesmo assim, há quem duvide dessa possibilidade. Jonathan Lees, geofísico da Universidade da Carolina do Norte, afirma que os instrumentos usados para detectar terremotos são sensíveis demais e acredita que esses barulhos sejam causados por outro tipo de fenômeno natural.

Seja lá qual for a causa desses misteriosos estrondos, o fato é que, muitas vezes, temos atribuído à atividade humana um fenômeno que pode estar sendo causado pelo próprio planeta. Vamos torcer para que esse barulho todo não seja um grito de socorro da Terra.


Enviado por Andrea - http://portaldosanjos.ning.com/
Leia mais em: http://www.tecmundo.com.br/ciencia/22321-misterio-estrondos-sem-cau...


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Evangelho Segundo Maria Madalena






 O Evangelho Segundo Maria Madalena é um dos inúmeros livros que integram a literatura judaico-cristã não reconhecida pelas Igrejas cristãs — Católica Romana [Ocidental], Cristã Ortodoxa [Oriental], Protestantes, Evangélicas. O conjunto dos livros que compõem esta literatura é geralmente conhecido como Evangelhos Apócrifos, embora inclua Epístolas dos Apóstolos, Apocalipses e textos que tratam de temas pré-cristãos, os Testamentos. Existem, por exemplo, Gênesis e Livro de Adão apócrifos.
Significado de Apócrifo: o termo apócrifo tem significado amplo embora, em princípio, sua origem seja o substantivo grego apókpryphon ou, segredo, secreto. Em seu artigo A Outra Biblia, Frei Jacir de Freitas Faria, Mestre em exegese [interpretação do texto] bíblica, reúne as muitas definições agregadas ao termo ao longo da história:
- algo precioso e, por isso, mantido em segredo;
- texto não usado oficialmente na liturgia das primeiras comunidades cristãs;
- texto conservado escondido por ter conteúdo não aceito;
- texto de origem desconhecida;
- texto falso ou falsificado no conteúdo ou título.
- livros de uso restrito por leitores de uma determinada corrente de pensamento;
- textos não inspirados e, por isso, não canônicos;
- livros parecidos com os considerados canônicos, mas de estilos literários diversos;
- textos que complementam o conteúdo, o sentido dos escritos canônicos, isto é, os escritos considerados inspirados e que, por isso, fazem parte da Bíblia. Esses textos podem, até mesmo, oferecer dados esquecidos ou pontos de vistas diferenciados dos que permaneceram como oficiais.
A Igreja Católica simplifica a questão classificando todos os livros não incluídos na Bíblia canônica [aceita pelo Vaticano] como falsos ou, no mínimo, de conteúdo duvidoso. Sobre os Apócrifos, escre Freitas Faria, em outro artigo, Segredos de História e Fé:
Apócrifo deriva do grego apókpryphos. A definição mais conhecida para apócrifo é texto falso no conteúdo ou no título e que, por isso, não entrou na lista dos livros inspirados, na Bíblia. Os apócrifos seriam meras fantasias de piedosos cristãos. Na verdade, entre os primeiros cristãos circulavam muitos textos sobre a vida de Jesus e seus seguidores.

Fala-se em uma lista de 60 apócrifos do Novo Testamento (Segundo Testamento) e outros 52 do Antigo Testamento (Primeiro Testamento). Muitos deles foram parar na fogueira. O decreto Gelasiano (referente ao Papa Gelásio – falecido em 496) proibia a utilização desses livros pelos cristãos. ...

Não por menos, na coletânea dos livros apócrifos do Segundo Testamento encontramos, por exemplo: Evangelhos (de Maria Madalena, de Tomé, de Filipe, Árabe da Infância de Jesus, do Pseudo-Tomé, de Tiago, do Nascimento de Maria); Atos (de Pedro, de Tecla e Paulo, dos doze apóstolos, de Pilatos); Epístolas (de Pilatos a Herodes, de Pilatos a Tibério, dos apóstolos, de Pedro a Filipe, Paulo aos Laodicenses, Terceira epístola aos Coríntios); Apocalipses (de Tiago; de João, de Estevão, de Pedro); Outros (A filha de Pedro, Descida de Cristo aos Infernos, Declaração de José de Arimatéia). Os originais desses textos estão em grego, latim, siríaco, copto, etíope, etc. Muitos deles são apenas fragmentos. Os evangelhos de Maria Madalena e Tomé, em copto, foram descobertos no alto Egito, em Nag Hamadi, em 1945.

Histórico:
O Evangelho de Maria Madalena pertence, mais precisamente, ao Codex Akhmin, também chamado Papyrus Berolinensis 8502. Foi descoberto na cidade de Akhmin, Egito, em 1896, e adquirido, no Cairo, pelo pesquisador alemão Carl Reinhardt. Originalmente, ao que parece, tinha 19 páginas, em papiro, escrito em dialeto copta egípcio, datado, imprecisamente, entre os séculos III e V. O texto estava incompleto; faltam as páginas de 1 a 6 e de 11 a 14 [HOLLY BOOKS].

Foi publicado, pela primeira vez, em 1955. Mais tarde, entre 1897 e 1906, dois outros fragmentos deste evangelho foram encontrados, pelos ingleses: o egiptólogo Bernard Pyne Grenfell [1869-1926] e o papirólogo Arthur Surridge Hunt [1871-1934]. Escritos em grego, são denominados: o Papyrus Oxyhynchus L 3525 [fig. acima] e o Papyrus Rylands 463. A versão destes novos fragmentos, que complementam e confirmam o texto do Codex Akhmin, foi publicada em 1983.


As Três Marias do Evangelho
O texto que hoje é conhecido como Evangelho de Maria Madalena, tal como outros textos muito antigos, datados entre os séculos I a V da Era Cristã, foi escrito em papiro e muitas de suas partes se perderam; das 19 páginas, ao menos 8 se perderam. A autoria, de acordo com o que foi constatado nos originais, é atribuída, simplesmente, a Maria, sem uma identificação mais precisa da autora, o que suscita especulações: o Evangelho poderia ter sido escrito por Maria, mãe de Jesus ou, até mesmo por Maria de Betânia, irmã de Lázaro [aquele que ressuscitou e Marta.
Todavia, a exegese dos textos bíblicos leva a crer que Maria Madalena é a personagem que melhor se encaixa no perfil de uma mulher que, na época, poderia ter assumido um papel importante no processo de evangelização dos primeiros tempos do cristianismo, logo depois da morte de Jesus. Pequenos indícios em detalhes mínimos dos evangelhos sinóticos [da Bíblia] permitem supor que Maria Madalena, aquela de quem Jesus expulsou sete espíritos malignos, possuía uma situação privilegiada para as mulheres de seu tempo. Acredita-se que tinha posses, era independente e culta, ou seja, letrada além de ser bela e bem falante.

Maria Madalena

Na Introdução à Vida de Santa Maria Madalena, texto integrante da obra Vida de Santa Maria Madalena, de autor anônimo do Século XIV, produzido pelo Programa de Estudos Medievais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, as autoras [tradutoras/comentadoras] assinalam as passagens bíblicas que revelam um pouco de quem foi Maria Madalena no contexto social da época de Cristo. Entretanto, a dimensão de Maria Madalena, sua importância, seu papel como discípula de Jesus, são melhor determinados nos outros evangelhos apócrifos, que foram acolhidos pelos Gnósticos:
Maria de Magdala, ou Maria Madalena, é a figura feminina mais citada no Novo Testamento - ainda mais que a Virgem. Além disso, é personagem importante na cena da ressurreição de Cristo.

No Evangelho segundo Mateus ela é mencionada diretamente duas vezes. Em Mt. 27,56, na cena da crucificação, é a primeira a ser nomeada entre as mulheres que acompanhavam Jesus desde a Galiléia, e em Mt. 28,1, no relato da ressurreição, ocasião em que Jesus aparece às mulheres e ordena que dêem a notícia aos apóstolos e que estes sigam até a Galiléia, é novamente lembrada em primeiro lugar: “Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro”.

Marcos se refere a ela quatro vezes. Na cena da crucificação, em Mc. 15,40-41, ela é mais uma vez identificada como parte do grupo de mulheres que seguiam a Jesus desde a Galiléia e é citada, também, em primeiro lugar: “Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé”. Um pouco mais à frente, em Mc. 15,47, ela é apontada como testemunha do sepultamento:

“Ora, Maria Madalena, e Maria, mãe de José, observaram onde ele foi posto.” O relato da ressurreição segundo o Evangelho de Marcos é o que dá mais importância a Madalena. Ela é destacada duas vezes: em Mc. 16,1, ela aparece indo comprar aromas com outras mulheres para embalsamar Jesus; e em Mc. 16,9 afirma-se: “Havendo ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiro a Maria Madalena, da qual expelira sete demônios.”
O Evangelho segundo Lucas faz alusões diretas e indiretas a Maria Madalena. Em Lc. 8,2-3 ela é mencionada como uma das mulheres que seguiam a Jesus; dela “saíram sete demônios”; e, junto a outras mulheres, prestava assistência a Cristo com os seus bens. Em Lc. 23, nos relatos da morte e sepultamento de Jesus, ela figura como uma das discípulas que o acompanhavam desde a Galiléia, primeiro assistindo a crucificação e, depois, preparando aromas e bálsamos para ungir o corpo do mestre.

A partir desses dados bíblicos, podemos construir alguns aspectos de sua biografia: Maria Madalena era uma mulher de posses que vivia na cidade de Magdala; após uma experiência religiosa, tornou-se discípula de Jesus, acompanhando- o em suas viagens, junto a outros discípulos, homens e mulheres, e inclusive financiando-o.

Pela forma como é nomeada, é possível inferir que possuía uma situação familiar incomum em seu tempo. Diferentemente de outras mulheres das Escrituras, ela é identificada por seu lugar de origem ao invés da referência a um homem, forma de designação mais usada para as mulheres neste momento. Sendo Maria relacionada somente à sua cidade, Magdala, aliás, de onde deriva o nome Madalena, é provável que ela fosse uma mulher solteira e independente.

O gnosticismo foi uma doutrina que inspirou a formação de um conjunto de seitas cristãs - condenadas pela Igreja como heterodoxas - sobretudo nos três primeiros séculos de nossa era. ...

Os gnósticos fixaram suas tradições sobre Cristo e os apóstolos em vários evangelhos apócrifos redigidos, em sua maioria, entre os séculos II e IV. Madalena figura nesses textos com freqüência, pois era vista como a encarnação da sabedoria celeste e como companheira de Jesus. Em todos estes escritos, ela é tida como o modelo de gnóstico perfeito, na medida em que se eleva ao ápice da visão e do amor espiritual.

Vida de Santa Maria Madalena - Texto Anônimo do Século XIV. [Intodução, trad. e notas: LOPES FRAZÃO DA SILVA, Andréia Cristina, FORTES, Carolina Coelho et. al.]
— Rio de janeiro: Ed. Márcia Cristina Martins | Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2002.
No Evangelho de Felipe, Madalena é apresentada como companheira de Cristo; no Evangelho de Tomé, é a consorte do Senhor e sua interlocutora mais importante e na Pistis Sophia, tratado gnóstico do século III, a maior parte das perguntas é feita por Maria Madalena.
O texto do Evangelho de Maria Madalena, apesar de extremamente fragmentado, guarda semelhança com outros apócrifos no sentido de abordar temas complexos da espiritualidade que são evitados nos quatro evangelhos canônicos. O capítulo VIII fala, ainda que de forma alegórica, da essência da alma, que ali é chamada devoradora de homens, conquistadora do espaço.


O EVANGELHO SEGUNDO MARIA MADALENA — trechos

Capítulo IV — O Salvador disse: "Todas as espécies, todas as formações, todas as criaturas estão unidas, elas dependem umas das outras, e se separarão novamente em sua própria origem. Pois a essência da matéria somente se separará de novo em sua própria essência. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça".

Pedro lhe disse: "Já que nos explicaste tudo, dize-nos isso também: o que é o pecado do mundo?" Jesus disse: "Não há pecado; sois vós que os criais, quando fazeis coisas da mesma espécie que o adultério, que é chamado 'pecado'. Por isso Deus Pai veio para o meio de vós, para a essência de cada espécie, para conduzi-la a sua origem."

Em seguida disse: "Por isso adoeceis e morreis [...]. Aquele que compreende minhas palavras, que as coloque-as em prática. A matéria produziu uma paixão sem igual, que se originou de algo contrário à Natureza Divina. A partir daí, todo o corpo se desequilibra. Essa é a razão por que vos digo: tende coragem, e se estiverdes desanimados, procurais força das diferentes manifestações da natureza. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça."
Quando o Filho de Deus assim falou, saudou a todos dizendo: "A Paz esteja convosco. Recebei minha paz. Tomai cuidado para ninguém vos afaste do caminho, dizendo: 'Por aqui' ou 'Por lá', Pois o Filho do Homem está dentro de vós. Segui-o. Quem o procurar, o encontrará. Prossegui agora, então, pregai o Evangelho do Reino. Não estabeleçais outras regras, além das que vos mostrei, e não instituais como legislador, senão sereis cerceados por elas". Após dizer tudo isto partiu.

Capítulo V — Mas eles estavam profundamente tristes. E falavam: "Como vamos pregar aos gentios o Evangelho ao Reino do Filho do Homem? Se eles não o procuraram, vão poupar a nós?" Maria Madalena se levantou, cumprimentou a todos e disse a seus irmãos: "Não vos lamentais nem sofrais, nem hesiteis, pois sua graça estará inteiramente convosco e vos protegerá. Antes, louvemos sua grandeza, pois Ele nos preparou e nos fez homens".

Após Maria ter dito isso, eles entregaram seus corações a Deus e começaram a conversar sobre as palavras do Salvador. Pedro disse a Maria: "Irmã, sabemos que o Salvador te amava mais do que qualquer outra mulher. Conta-nos as palavras do Salvador, as de que te lembras, aquelas que só tu sabes e nós nem ouvimos."

Maria Madalena respondeu dizendo: "Esclarecerei a vós o que está oculto". E ela começou a falar essas palavras: "Eu", disse ela, "eu tive uma visão do Senhor e contei a Ele: 'Mestre, apareceste-me hoje numa visão'. Ele respondeu e me disse: 'Bem aventurada sejas, por não teres fraquejado ao me ver. Pois, onde está a mente há um tesouro'. Eu lhe disse: 'Mestre, aquele que tem uma visão vê com a alma ou como espírito?' Jesus respondeu e disse: "Não vê nem com a alma nem com o espírito, mas com a consciência, que está entre ambos - assim é que tem a visão [...]".


Capítulo VIII — E o desejo disse à alma: 'Não te vi descer, mas agora te vejo subir. Por que falas mentira, já que pertences a mim?' A alma respondeu e disse:'Eu te vi. Não me viste, nem me reconheceste. Usaste-me como acessório e não me reconheceste.' Depois de dizer isso, a alma foi embora, exultante de alegria. "De novo alcançou a terceira potência, chamada ignorância. A potência, inquiriu a alma dizendo: 'Onde vais? Estás aprisionada à maldade. Estás aprisionada, não julgues!'

E a alma disse: 'Por que me julgaste apesar de eu não haver julgado? Eu estava aprisionada; no entanto, não aprisionei. Não fui reconhecida que o Todo se está desfazendo, tanto as coisas terrenas quanto as celestiais.' "Quando a alma venceu a terceira potência, subiu e viu a quarta potência, que assumiu sete formas. A primeira forma, trevas; a segunda, desejo; a terceira, ignorância; a quarta, é a comoção da morte; a quinta, é o reino da carne; a sexta, é a vã sabedoria da carne; a sétima, a sabedoria irada. Essas são as sete potências da ira.

Elas perguntaram à alma: 'De onde vens, devoradora de homens, ou onde vais, conquistadora do espaço?' A alma respondeu dizendo: 'O que me subjugava foi eliminado e o que me fazia voltar foi derrotado... e meu desejo foi consumido e a ignorância morreu. Num mundo fui libertada de outro mundo; num tipo fui libertada de um tipo celestial e também dos grilhões do esquecimento, que são transitórios. Daqui em diante, alcançarei em silêncio o final do tempo propício, do reino eterno'."

Capítulo IX — Depois de ter dito isso, Maria Madalena se calou, pois até aqui o Salvador lhe tinha falado. Mas André respondeu e disse aos irmãos:"Dizei o que tendes para dizer sobre o que ela falou. Eu, de minha parte, não acredito que o Salvador tenha dito isso. Pois esses ensinamentos carregam idéias estranhas". Pedro respondeu e falou sobre as mesmas coisas.

Ele os inquiriu sobre o Salvador:"Será que ele realmente conversou em particular com uma mulher e não abertamente conosco? Devemos mudar de opinião e ouvirmos ela? Ele a preferiu a nós?" Então Maria Madalena se lamentou e disse a Pedro: "Pedro, meu irmão, o que estás pensando? Achas que inventei tudo isso no mau coração ou que estou mentindo sobre o Salvador?"

Levi respondeu a Pedro: "Pedro, sempre fostes exaltado. Agora te vejo competindo com uma mulher como adversário. Mas, se o Salvador a fez merecedora, quem és tu para rejeitá-la? Certamente o Salvador a conhece bem. Daí a ter amado mais do que a nós. É antes, o caso de nos envergonharmos e assumirmos o homem perfeito e nos separaremos, como Ele nos mandou, e pregarmos o Evangelho, não criando nenhuma regra ou lei, além das que o Salvador nos legou." Depois que Levi disse essas palavras, eles começaram a sair para anunciar e pregar.
 Considerado pela Igreja Católica como um documento apócrifo, apesar de atribuído a um autor sagrado, o Evangelho segundo Maria Madalena completo desperta cada vez mais a atenção de estudiosos do assunto.
Documento de origem legítima, ele ajudou a esclarecer o pensamento gnóstico da era apostólica. De origem grega, foi traduzido para o copta saídico. Este evangelho ficou conhecido principalmente pela sua tradução francesa de 2002, sendo a França o local em que Madalena teria seus mais fortes laços.

O texto

O texto caracteriza-se principalmente no período em que Jesus permaneceu ressuscitado entre os seus discípulos,respondendo a todas as suas dúvidas. Ele pede a Madalena para que seus seguidores preguem os ensinamentos e depois vai embora. Maria Madalena sentindo fraqueza no ânimo dos seguidores para o cumprimento das ordens de Jesus encoraja-os. Pedro, irritado, duvida que Jesus tenha conversado com ela sobre isso, principalmente por ser uma mulher. Levi chama sua atenção e pede para unir o masculino com o feminino dentro de cada um e saiam para anunciar o Evangelho, essa passagem é o final do Evangelho que pode ser conferido em Evangelho segundo Maria Madalena.

A mulher líder

Alguns autores argumentam que a oposição dos apóstolos com relação à Maria determinou os confrontos na Igreja do século II, deixando evidenciada que era contra as manifestações esotéricas e da liderança de Maria.
Nos textos, com muitas referências gnósticas, ela demonstra como buscar a harmonia interior, que o espírito conheça a sua verdadeira natureza e que encontre o lugar de sua ascensão.

A Tartaruga e o Coelho



Uma história contada pela Monja Coen

A versão japonesa da fábula da tartaruga e do coelho é um tanto quanto diferente daquele da minha infância brasileira. Eu a ouvi há poucos dias do Reverendo Miura, que veio do Japão nos visitar.
Conta-se que a tartaruga e o coelho foram apostar uma corrida. O coelho saiu na frente e quando estava no topo de um morro olhou para trás e viu a tartaruga lá longe, tão longe que ele resolveu deitar e dormir.
Passo a passo a tartaruga passou pelo coelho adormecido e chegou em primeiro lugar.
No Japão essa fábula é ensinada para enfatizar a importância da persistência, paciência, continuidade.
No entanto, quando essa história foi contada na Índia houve quem dissesse:
“A tartaruga foi má. Sabe por que? Porque ela não acordou o coelho.” 
São maneiras diferentes de se interpretar a mesma história. Talvez a tartaruga devesse ter parado e verificado se o coelho estava bem antes de continuar caminhando lenta e continuamente.
A história do Brasil era diferente. A tartaruga enganava o coelho e chegava primeiro.
Talvez por isso temos tantas pessoas envolvidas na corrupção. Não paramos para ajudar como na Índia, país pobre e sofredor. Nem vamos passo a passo até nossos objetivos, como no Japão, país próspero.
Como seria a versão de Buda?
Saíram juntos o coelho e a tartaruga.
Não se preocupariam em ganhar, mas em criar harmonia com sua passagem. Ofereceriam o prêmio um ao outro, pois não haveria perdedor. Um ganharia pela velocidade. Outro pela persistência.
A tartaruga veria o coelho sair rapidamente. Da poeira levantada onde nem suas patinhas poderiam ser encontradas, a tartaruga apreciando, cada passo, flor, estrada se apiedaria do amigo que na grande correria se esquecia de ver cada detalhe sagrado.
O coelho por sua vez, pernas fortes e longas, se preocupava com a amiga tartaruga, de casco pesado e pernas curtas. Estaria sendo absurda essa competição?
Olhava para trás e a via caminhando, lenta e decididamente. Parava o coelho e a esperava. Perguntava como estava. Juntos descansavam na sombra das árvores. E o melhor é que não havia gol a obter, não havia corrida a ganhar. Tudo que havia era o prazer de viver. Cada um com seu passo, seu estilo, sem competir, caminhando o Caminho, sendo o Caminho iluminado.
E nessa caminhada iam encontrando pessoas e animais, árvores e minerais, água, terra, ar, fogo, tudo que existe e sempre se prontificando a ajudar e a procurar a maneira correta de fazer com que todos percebessem a beleza de caminhar o caminho sem começo e sem fim.
No budismo ambos seriam bodisatvas, seres iluminados disfarçados a mostrar o Caminho verdadeiro a todos os seres.
Essa versão me apetece e se parece sonho, fantasia, ilusão, utopia – é dessa matéria prima sagrada que a vida é celebrada.
Somos um com o mundo. O mundo é uno em nós.
Quando inspiramos o mundo inspira. Além da dualidade o que resta é a unidade.
A diversidade não é rival da unidade. Pelo contrário: no uno tudo está incluído. Cada parte, como um corpo de coração e pulmões, rins e fígado.
Outro monge, Reverendo Saikawa, bebeu de um copo de água. Era a água e eu. Agora a água sou eu. Eu sou a água .
Interconectados. Intersendo.
Olhar capaz de ver com clareza luminosa como espelho de cristal.
Audição de ouvir com clareza sonora como Espelho de cristal.
Assim com todos os sentidos. Tudo vendo, tudo ouvindo, todos os odores sentindo, todos os sabores, na pele o frio, o calor, as texturas.
Mas a mente precisa estar luminosa e aberta, pois se estiver cheia de si mesma não é capaz de se tornar flexível e sensível.
Tartaruga e coelho não se opõem. São. Intersendo.
Cada um é como é. Tem sua função e ação. Se tartaruga quiser ser coelho terá problemas, dores, sofrimentos. Não aceitará a si mesma. Estará o tempo todo reclamando, se rejeitando, julgando, se rebaixando. Triste sina.
Se o coelho pensasse ser tartaruga, com uma casa nas costas a se proteger dos caçadores, seria triste seu fim.
Cada um é cada um. Tem valor e tem lugar. Nada é fixo. Não há melhor nem pior. Há o que é correto em sua função e posição.
Ser humano, estrela, cão.
Somos todos apenas você.
E você sou eu.
Tartaruga e coelho. Além da competição.

História do Rosacrucianismo



A fonte sobre a ordem Rosa cruz esta contida no próprio portal  da AMORC não tendo opinião pessoa,e tem apenas caráter informativo aconselho procurar outras fontes. 
O símbolo da Ordem, uma cruz dourada com uma única rosa semi desabrochada no centro; não tem caráter sectário, mas filosófico, visto que a cruz é um símbolo ancestral da humanidade constante em toda as culturas, sob diversas formas. A Cruz Rosacruz tem um significado filosófico e psicológico e representa: a cruz, o corpo físico e o plano material, onde se processa a evolução da consciência do homem; esta evolução gradativa da mente é simbolizada pela rosa desabrochando no centro da cruz, no centro da experiência humana.
A antiga e Mística Ordem Rosae Crucis,AMORC,é uma organização de caráter mistico-filosofico, não sectária e sem fins lucrativos, que  reúne fraternalmente homens, mulheres, jovens e crianças no mesmo ideal: o aperfeiçoamento intelectual, psíquico e espiritual. Tradicionalmente é considerada a mais antiga fraternidade do mundo, sendo o prolongamento da Fraternidade criada pelo Faraó Tutmés III em 1503 a. C. e que se destinava a estudar, experimentar e praticar os mais altos princípios da natureza, do homem e do universo, em contraste com as crenças supersticiosas que estavam difundidas entre o povo da época. A Escola de Faraó Tutmés III se aperfeiçoou sob a gestão de seu neto, o Faraó Akhenaton (1353 a.C.) considerado o primeiro Grande Mestre tradicional da Ordem Rosacruz, por ter aperfeiçoado seu sistema de leis, princípios filosóficos e ritualísticos. É a partir da data geral do reinado deste Faraó que se conta o Ano Rosacruz. A Ordem Rosacruz está, portanto, no Ano 3372, sempre comemorado em Março.É relevante destacar que Akhenaton é considerado pelos historiadores modernos como a “primeira personalidade da história”, por ter sido o primeiro ser humano a pregar a existência de um só Deus no Universo, em contraste ao politeísmo da época. É reconhecido, portanto, como o fundador do Monoteísmo. Este Faraó também revolucionou a cultura, a ciência e as artes do Egito durante seu reinado.Desde Akhenaton a Ordem Rosacruz se desenvolveu, expandindo-se para a Ásia e Europa. O nome “Rosacruz” só veio mais tarde, no século XVI. A Ordem sempre perpetuou sua herança, aperfeiçoando-a conforme as pesquisas realizadas, em todos os campos, pelos seus membros, dentre eles pessoas eminentes como Leonardo Da Vinci, Paracelso, Francis Bacon, Jacob Boehme, René Descartes, Baruch Spinoza, Gottfried von Leibniz, Isaac Newton, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Erik Satie etc.
Em 1915 a Organização foi reativada na América do Norte, a partir da França, adotando o nome de AMORC (Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis), que é uma abreviatura do nome antigo e em latim da organização: Antiquus Arcanus Ordo Rosae Rubeae et Aureae Crucis (Antiga e Arcana Ordem da Rosa Rubra e da Cruz Dourada).O revitalizador da Ordem nos EUA foi o jornalista, publicitário, filósofo, cientista, artista plástico e humanitário Harvey Spencer Lewis. A partir de sua gestão, a Ordem se desenvolveu de forma unificada, atingindo sua dimensão atual. Atualmente, a AMORC se estende pelo mundo todo, com cerca de 200.000 rosacruzes ativos. Sendo uma Organização não-sectária, apolítica e sem fins lucrativos, humanitária e global, em seu quadro de estudantes encontram-se pessoas de praticamente todas as raças, culturas, religiões, linhas filosóficas, idades e de ambos os sexos, trabalhando de forma livre em prol de um mundo mais pacífico e melhor. Na Ordem encontram-se, inclusive, clérigos, como padres, rabinos, monges e pastores, e até mesmo agnósticos. A Ordem forma livres pensadores.
A Ordem Rosacruz também pode ser considerada a primeira Fraternidade a considerar a mulher em plena igualdade com os homens, pois desde seu surgimento o sexo feminino gozou de todos os privilégios, incluindo o de cargos, iguais aos do sexo masculino. Aliás, a primeira Grande Mestre da AMORC para o Brasil foi a Soror (Irmã) Maria A. Moura. Graças à sua dinâmica gestão, a Ordem desabrochou no Brasil.A Ordem possui milhares de Organismo afiliados espalhados pelo orbe, geridos por 13 Grandes Lojas e sete Administrações regionais. Cada Grande Loja e Administração regional é controlada por um Grande Mestre, congregando estudantes de uma mesma língua e se responsabilizando pela difusão dos ensinamentos rosacruzes em determinada parte do globo
Ordem Rosacruz e a sua História assista o vídeo:

Atlântida

Atlântida: a história da civilização perdida, suas tecnologias e os mistérios que atravessaram os séculos

Por Denise Lopes

Poucas histórias despertam tanta curiosidade quanto a de Atlântida, a suposta civilização que teria alcançado um elevado grau de desenvolvimento antes de desaparecer sob as águas. Ao longo dos séculos, essa narrativa inspirou filósofos, arqueólogos, geólogos, escritores, ocultistas e pesquisadores interessados nos mistérios da história humana.

Atlântida é frequentemente apresentada como uma sociedade que dominava conhecimentos avançados de arquitetura, astronomia, agricultura e engenharia. Em algumas correntes esotéricas, seus habitantes também teriam desenvolvido faculdades psíquicas, técnicas de manipulação energética e conhecimentos científicos que teriam sido transmitidos, após sua destruição, a outras civilizações antigas.

Entretanto, é necessário distinguir três aspectos: o relato original do filósofo grego Platão, as interpretações esotéricas que surgiram posteriormente e as evidências históricas e científicas disponíveis atualmente.

A história de Atlântida continua fascinante justamente porque reúne questões sobre o passado, o desenvolvimento das civilizações, a relação entre conhecimento e poder e a possibilidade de que acontecimentos naturais tenham inspirado antigas narrativas de destruição.

Mas até que ponto podemos considerar Atlântida uma civilização real? E quais elementos de sua história pertencem ao campo da tradição, da especulação ou da ciência?

Platão e a primeira narrativa conhecida sobre Atlântida

A principal fonte antiga sobre Atlântida são os diálogos Timeu e Crítias, escritos pelo filósofo grego Platão no século IV a.C.

Na narrativa, Platão descreve uma poderosa ilha situada além das Colunas de Hércules, geralmente associadas à região do atual estreito de Gibraltar. Segundo o relato, Atlântida teria sido uma potência militar e marítima que tentou expandir seus domínios, entrando em conflito com uma antiga Atenas apresentada como exemplo de virtude e organização.

A história teria chegado aos gregos por meio de Sólon, legislador ateniense que, segundo a narrativa, ouviu dos sacerdotes egípcios, na cidade de Saís, informações sobre acontecimentos muito anteriores à história conhecida pelos gregos.

De acordo com Platão, Atlântida foi destruída por terremotos e inundações, desaparecendo no mar em um único dia e uma noite de acontecimentos catastróficos.

O relato menciona uma sociedade com organização política, riqueza, construções monumentais, canais e estruturas portuárias. Também apresenta uma reflexão moral: uma potência inicialmente próspera teria se tornado excessivamente ambiciosa, afastando-se da moderação e da justiça.

Essa dimensão é importante. Muitos estudiosos da filosofia antiga interpretam a história como uma narrativa filosófica construída para refletir sobre o poder, a virtude e a decadência das sociedades. Não existe consenso acadêmico de que Platão estivesse descrevendo uma civilização histórica real.

Portanto, a existência da narrativa é comprovada pelos textos antigos; a existência de Atlântida exatamente como descrita por Platão, porém, permanece sem comprovação arqueológica.

As três Atlântidas: uma interpretação esotérica

Uma das versões mais elaboradas da história de Atlântida propõe que não existiu apenas uma civilização atlante, mas três fases distintas, separadas por grandes catástrofes.

Essa interpretação aparece em narrativas esotéricas modernas e procura explicar por que Atlântida teria apresentado diferentes níveis de desenvolvimento e por que seus sobreviventes teriam migrado para regiões distintas do planeta.

É importante observar que essa divisão em três civilizações não aparece dessa forma nos diálogos de Platão. Trata-se de uma construção posterior, pertencente a determinadas correntes espiritualistas e ocultistas.

Primeira Atlântida: de 100.000 a 50.000 a.C.

Segundo essa tradição, a primeira civilização atlante teria surgido em um continente muito maior do que a ilha descrita por Platão. Algumas versões imaginam uma extensão territorial que alcançaria regiões próximas à Groenlândia e ao norte do Brasil.

Os primeiros habitantes seriam, nessa interpretação, descendentes de povos lemurianos que teriam migrado após catástrofes ocorridas em um continente situado no oceano Pacífico.

A sociedade atlante inicial é descrita como relativamente harmoniosa, com grande valorização do caráter, da vida comunitária e do equilíbrio entre o desenvolvimento material e o espiritual.

Os relatos afirmam que seus habitantes possuíam faculdades mentais extraordinárias, incluindo capacidades intuitivas e formas de comunicação que ultrapassariam os sentidos convencionais.

Essas características pertencem ao campo das narrativas esotéricas. Não existem evidências arqueológicas ou científicas que comprovem a existência dessa civilização, suas supostas habilidades psíquicas ou sua origem lemuriana.

O início da decadência

A narrativa esotérica afirma que, com o passar do tempo, o desenvolvimento tecnológico e a busca por recursos materiais começaram a modificar os valores da sociedade.

O conhecimento teria deixado de ser utilizado exclusivamente para o bem coletivo e passado a servir também à competição, à conquista e à acumulação de riquezas.

O pesquisador psíquico Edgar Cayce, conhecido por suas chamadas leituras sobre Atlântida, descreveu dois grupos que teriam entrado em conflito: os chamados Filhos de Belial e as Crianças da Lei Um.

Na interpretação atribuída a Cayce, os primeiros representariam uma orientação materialista, enquanto os segundos valorizariam a espiritualidade, a oração e a unidade da vida.

Essa divisão é uma das imagens mais conhecidas do universo esotérico associado a Atlântida. Entretanto, os grupos descritos por Cayce não são documentados por fontes históricas independentes.

Segundo essa versão, a primeira grande destruição teria ocorrido por volta de 50.000 a.C., em meio a intensas atividades vulcânicas e terremotos. Os sobreviventes teriam migrado para a África e para a América do Sul, levando consigo fragmentos de seus conhecimentos.

A narrativa ainda afirma que alguns desses grupos teriam entrado em contato com povos considerados remanescentes da Lemúria.

Segunda Atlântida: de 48.000 a 28.000 a.C.

Na segunda fase, os sobreviventes teriam reconstruído sua sociedade e retomado o desenvolvimento da agricultura, da organização urbana e das técnicas de construção.

De acordo com os relatos esotéricos, essa civilização teria começado valorizando a natureza, mas gradualmente voltado a priorizar a tecnologia, a riqueza e o poder.

A sociedade teria se tornado mais hierarquizada e militarizada. Os conhecimentos que antes seriam utilizados para o desenvolvimento coletivo teriam passado a servir a interesses particulares.

Os relatos também atribuem a essa fase conflitos religiosos, decadência moral e práticas violentas.

Em determinado momento, parte dos habitantes teria abandonado o continente e migrado para regiões que hoje correspondem às Antilhas, ao México e à América do Sul.

A segunda destruição teria ocorrido por volta de 28.000 a.C., supostamente associada a alterações no eixo terrestre, terremotos e atividade vulcânica.

Do ponto de vista científico, porém, não há evidências de que uma mudança do eixo da Terra tenha provocado a destruição de uma civilização atlante nessa data. Tampouco existem registros arqueológicos que comprovem a cronologia apresentada por essa tradição.

Terceira Atlântida: de 28.000 a 12.500 a.C.

A terceira fase seria a mais próxima da civilização descrita por Platão, embora as datas propostas pelas tradições esotéricas não correspondam à cronologia histórica comprovada.

Segundo essa narrativa, os habitantes teriam reconstruído cidades, desenvolvido conhecimentos de astronomia, geometria e arquitetura e procurado integrar a ciência ao desenvolvimento espiritual.

Os atlantes são descritos como estudiosos das forças da natureza, dos cristais, das energias terrestres e de fenômenos relacionados aos movimentos dos astros.

Algumas versões também atribuem a eles conhecimentos de engenharia genética e a construção de estruturas monumentais destinadas à captação ou à concentração de energia.

Essas alegações não foram demonstradas por evidências arqueológicas ou científicas. Elas devem ser compreendidas como elementos de uma tradição esotérica moderna, e não como fatos estabelecidos sobre sociedades pré-históricas.

Os cristais, o Vril e a tecnologia atlante

Entre os temas mais recorrentes nas narrativas sobre Atlântida está a suposta utilização de cristais para fins tecnológicos e energéticos.

Segundo determinadas versões esotéricas, os atlantes teriam utilizado grandes cristais como instrumentos de concentração de energia, transmissão de informações e alteração de estados de consciência.

Em algumas dessas histórias, os conhecimentos teriam sido levados a um extremo perigoso, culminando em experimentos que os habitantes não conseguiram controlar.

A destruição final de Atlântida é então associada ao uso irresponsável de uma força denominada Vril.

O termo Vril ganhou notoriedade no século XIX com o romance The Coming Race, publicado por Edward Bulwer-Lytton em 1871. Na obra de ficção, Vril é uma força extraordinária utilizada por uma sociedade subterrânea. Posteriormente, o conceito foi incorporado a diferentes especulações esotéricas e teorias sobre tecnologias antigas.

Não há evidências científicas de que o Vril tenha existido como uma energia física capaz de destruir um continente.

É importante também distinguir as propriedades reais dos cristais das alegações extraordinárias feitas a respeito deles. Cristais possuem aplicações comprovadas em eletrônica, óptica, relojoaria, lasers e outras tecnologias. Isso, entretanto, não demonstra que tenham sido utilizados por uma civilização atlante para controlar forças cósmicas ou provocar catástrofes.

A existência de aplicações tecnológicas dos cristais não pode ser usada como prova da existência de uma civilização perdida.

Atlântida e as pirâmides do Egito

Uma das hipóteses mais populares entre os defensores de civilizações antigas desconhecidas é a de que os sobreviventes de Atlântida teriam levado conhecimentos científicos e arquitetônicos para o Egito.

Nessa interpretação, os atlantes seriam responsáveis por transmitir técnicas de construção, matemática, geometria e astronomia aos primeiros povos egípcios.

Alguns autores também sugerem que as pirâmides funcionariam como receptores de energia ou instrumentos destinados a produzir estados alterados de consciência.

Essas ideias fazem parte da literatura esotérica e das teorias alternativas sobre a história antiga. Contudo, não existe evidência arqueológica aceita que demonstre a participação de atlantes na construção das pirâmides egípcias.

A arqueologia documenta o desenvolvimento da civilização egípcia, suas técnicas construtivas, suas estruturas políticas e religiosas e os diferentes períodos de construção monumental.

A Grande Pirâmide de Gizé está associada ao reinado do faraó Quéops, durante a Quarta Dinastia, no Antigo Reino, aproximadamente no século XXVI a.C.

Isso não significa que todas as questões relacionadas à construção das pirâmides estejam resolvidas em seus mínimos detalhes. Existem debates sobre técnicas específicas, logística e organização do trabalho. Entretanto, a ausência de respostas completas para determinadas questões não constitui prova de uma origem atlante.

E a Esfinge seria muito mais antiga?

Outra discussão frequente envolve a data de construção da Grande Esfinge de Gizé.

Alguns pesquisadores alternativos, entre eles o geólogo Robert Schoch e o autor John Anthony West, defenderam a hipótese de que sinais de erosão na estrutura poderiam indicar uma idade anterior à cronologia tradicionalmente aceita.

Essas interpretações são controversas e não representam o consenso da egiptologia. A interpretação predominante relaciona a Esfinge ao complexo monumental de Gizé e ao período do faraó Quéfren, durante o Antigo Reino.

A hipótese de uma Esfinge construída por volta de 10.000 a.C. não foi estabelecida por evidências arqueológicas conclusivas.

Também não existe comprovação de que uma sala contendo documentos sobre Atlântida esteja escondida sob a Esfinge. Afirmações desse tipo precisam ser distinguidas de descobertas arqueológicas efetivamente documentadas.

Os maias, os celtas e a hipótese de uma herança atlante

A narrativa esotérica sobre Atlântida não se limita ao Egito. Ela também procura relacionar os supostos sobreviventes a outras civilizações antigas.

Segundo essa interpretação, grupos que escaparam da destruição teriam migrado para a América Central e contribuído para o desenvolvimento das culturas que posteriormente deram origem à civilização maia.

Outros grupos teriam seguido para a Europa, transmitindo conhecimentos aos povos que mais tarde seriam associados às tradições celtas.

Nessas versões, as semelhanças entre monumentos, símbolos, conhecimentos astronômicos e práticas religiosas de diferentes sociedades seriam indícios de uma origem comum.

Entretanto, semelhanças culturais não comprovam, por si só, uma ligação direta entre civilizações separadas por grandes distâncias e períodos históricos.

A arqueologia, a antropologia e a linguística investigam as origens e as relações entre sociedades por meio de evidências como vestígios materiais, inscrições, linguagens, padrões genéticos e contextos históricos.

Até o momento, não existe comprovação científica de que os maias ou os celtas tenham recebido seus conhecimentos de sobreviventes de Atlântida.

Isso não impede que a hipótese seja estudada como parte da história das ideias esotéricas e da maneira como diferentes épocas imaginaram uma origem comum para os conhecimentos da humanidade.

O que a geologia revela sobre continentes desaparecidos?

Uma questão importante é saber se um continente inteiro poderia ter afundado no oceano Atlântico em uma única noite.

A geologia demonstra que o planeta passou por profundas transformações ao longo de milhões de anos. A movimentação das placas tectônicas, o vulcanismo, os terremotos e as variações do nível do mar alteraram continuamente a configuração dos continentes e das ilhas.

Durante as últimas fases glaciais, grandes volumes de água ficaram retidos nas geleiras. Com o derretimento do gelo, o nível dos oceanos subiu, inundando extensas áreas costeiras e antigas paisagens habitadas por seres humanos.

Portanto, o desaparecimento de terras costeiras e assentamentos humanos sob o mar é um fenômeno real.

Isso, porém, não equivale à existência de um continente atlante tecnologicamente avançado.

A crosta terrestre sob o oceano Atlântico possui uma história geológica conhecida, relacionada à separação das placas tectônicas e à abertura progressiva do oceano. Não há evidências de que um continente do tamanho descrito em algumas narrativas esotéricas tenha desaparecido repentinamente nessa região durante a história humana.

Existem hipóteses que procuram relacionar a narrativa de Platão a acontecimentos naturais reais, como a erupção vulcânica que destruiu parte da ilha de Tera, atual Santorini, durante a Idade do Bronze. Essa hipótese é discutida porque o desastre afetou sociedades do Mediterrâneo oriental, mas não comprova a existência da Atlântida descrita por Platão.

O mais prudente é reconhecer que catástrofes naturais podem ter inspirado antigas narrativas sem concluir que todos os detalhes dessas narrativas sejam registros históricos literais.

Existem ruínas de Atlântida no fundo do mar?

Ao longo do século XX e até os dias atuais, diferentes descobertas submarinas foram apresentadas por autores e pesquisadores alternativos como possíveis vestígios de Atlântida.

Entre as regiões frequentemente mencionadas estão os Açores, o Caribe e áreas próximas às Bahamas.

No entanto, encontrar estruturas submersas, formações rochosas ou vestígios de ocupação humana não basta para demonstrar a existência de Atlântida. É necessário estabelecer a origem dos materiais, sua idade, o contexto arqueológico e a relação entre os vestígios e a sociedade que se pretende identificar.

Formações naturais podem apresentar padrões que lembram construções humanas, especialmente quando observadas em fotografias submarinas. Por isso, alegações de cidades submersas precisam ser avaliadas por meio de levantamentos geológicos e arqueológicos rigorosos.

Até hoje, não foi encontrada uma cidade ou um conjunto de vestígios arqueológicos reconhecidos pela comunidade científica como a Atlântida de Platão.

Essa ausência de comprovação não elimina a possibilidade de que antigas comunidades costeiras tenham sido inundadas pelo mar. Ela significa apenas que não podemos identificar automaticamente esses locais com a civilização descrita na narrativa antiga.

A moral da história: o desenvolvimento sem consciência

Independentemente da questão histórica, uma das razões pelas quais a narrativa de Atlântida continua atraindo leitores é a reflexão sobre a decadência das sociedades.

Na versão de Platão, a riqueza e o poder de Atlântida são acompanhados por uma transformação moral. A ambição e o desejo de dominação acabam levando a potência ao conflito e à destruição.

As tradições esotéricas ampliaram essa reflexão ao imaginar uma civilização que teria desenvolvido grandes conhecimentos, mas não teria conseguido conciliar sua capacidade técnica com a responsabilidade ética.

Essa interpretação permite estabelecer um paralelo com questões contemporâneas: o avanço científico, por si só, não garante o desenvolvimento moral; o domínio de recursos não significa necessariamente sabedoria; e a capacidade de transformar a natureza exige responsabilidade diante das consequências.

A história humana oferece exemplos concretos de sociedades que entraram em crise por conflitos, desigualdades, degradação ambiental e decisões políticas destrutivas.

Não é necessário comprovar a existência de Atlântida para reconhecer a importância dessas questões.

A narrativa pode ser lida como um convite a refletir sobre o modo como utilizamos o conhecimento, sobre os limites do poder e sobre a necessidade de conciliar desenvolvimento material, justiça social e responsabilidade coletiva.

Afinal, Atlântida existiu?

A resposta depende do que estamos afirmando.
Como narrativa filosófica, Atlântida existe nos diálogos de Platão e faz parte da história do pensamento ocidental.
Como inspiração para tradições esotéricas, tornou-se o centro de inúmeras interpretações sobre civilizações antigas, conhecimentos secretos, migrações e catástrofes.
Como continente perdido que teria abrigado uma civilização tecnologicamente superior há dezenas de milhares de anos, porém, Atlântida não possui comprovação arqueológica ou geológica aceita pela comunidade científica.
As datas de 100.000 a.C., 50.000 a.C. e 28.000 a.C., assim como as alegações sobre engenharia genética, aeronaves, cristais energéticos, Vril e transmissão de conhecimentos aos egípcios, maias e celtas, pertencem a narrativas esotéricas e especulativas, não a uma cronologia histórica estabelecida.
Essa distinção não exige abandonar a curiosidade. Pelo contrário: permite investigar os mistérios com mais profundidade, reconhecendo o valor cultural das tradições sem transformar hipóteses em fatos comprovados.

Conclusão: entre o mito, a história e a busca pelo conhecimento

Atlântida permanece como uma das imagens mais poderosas da imaginação humana. Sua história atravessou séculos porque reúne o fascínio pelo desconhecido, a possibilidade de catástrofes esquecidas e a pergunta sobre o destino das civilizações.

O relato de Platão, as interpretações de Edgar Cayce e as tradições esotéricas posteriores oferecem diferentes maneiras de compreender essa narrativa. A arqueologia e a geologia, por sua vez, ajudam a avaliar quais afirmações encontram apoio nas evidências disponíveis.

É possível explorar esses diferentes campos sem confundir suas metodologias. O mito pode expressar ideias filosóficas; o esoterismo pode revelar como determinadas comunidades interpretam a espiritualidade; e a ciência procura testar afirmações por meio de evidências verificáveis.

Talvez a pergunta mais produtiva não seja apenas se Atlântida existiu, mas por que a humanidade continua imaginando civilizações perdidas que alcançaram grande poder e depois desapareceram.

A resposta pode estar em nossa própria relação com o conhecimento: queremos compreender o passado, descobrir o que ainda ignoramos e encontrar sentido nos acontecimentos que transformam a história.

Se Atlântida foi uma civilização real, uma narrativa filosófica ou uma combinação de antigas lembranças e imaginação, a investigação continua sendo um exercício de curiosidade e pensamento crítico.

O verdadeiro desafio é manter a mente aberta sem abrir mão da análise, reconhecendo que procurar respostas exige tanto imaginação quanto responsabilidade diante dos fatos.


Referências e leituras para aprofundamento

  • Platão. Timeu e Crítias. Fontes antigas fundamentais para conhecer a narrativa original de Atlântida.

  • Edgar Cayce. Relatos e leituras sobre Atlântida, relevantes para compreender a interpretação esotérica moderna.

  • Edward Bulwer-Lytton. The Coming Race (1871), obra literária que popularizou o conceito de Vril.

  • Estudos de geologia e arqueologia submarina. Pesquisas sobre mudanças no nível do mar, paisagens costeiras submersas e ocupações humanas antigas.

  • Robert Schoch e John Anthony West. Autores associados a interpretações alternativas sobre a idade da Esfinge, cujas hipóteses devem ser comparadas ao consenso arqueológico.


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